18 de mar de 2010

Martina, a criança-figura

Fazendo uma matéria para o site da Tpm, conheci a minha criança favorita: Martina, 1. Ela é filha da artista plástica Silvana Mello, que é muito legal também.

Martina me convidou para pintar sua parede, fazer chapéu no "bapo" (gato) que o pai dela desenhou e disse tchau para mim e o Colé (o videomaker). De tênis estilo Vans xadrez e camisa da Santa Cruz, ela me fez ter vontade de ter uma filha só para eu poder dar o mesmo nome, Martina.

Aqui está a matéria, publicada no site da Tpm.

Arte-mãe

A gravidez não só fez a artista Silvana Mello parar de trabalhar, como gestou a renovação

02.02.2010 | Texto por Diogo Rodriguez Vídeo Vinicius Colé


Martina pode pintar uma parede de seu quarto com canetinhas. Não só pode, como os pais a ajudam. Aliás, a mãe, a artista plástica Silvana Mello, chama as “obras” (riscos e alguns desenhos de gatos e outros animais), de “nosso trampo”. Uma parede maior do quarto leva mais cores e desenhos bem-definidos, um cavalo e um coelho de pelúcia contra um fundo azul, que Silvana pintou ainda grávida. Dá para notar que faltou pouco para terminar por causa do medo de Silvana de subir em um banquinho ainda gestante.

Mãe e filha, que está na parede da cozinha

"Mãe e filha", que está na parede da cozinha

Esse não foi o único impedimento enfrentado pela artista plástica gaúcha. Temerosa de que as tintas pudessem prejudicar o bebê, começou a trabalhar com máscara. Conseguiu trabalhar até Martina, hoje com um ano e três meses, nascer. Com uma filha de colo precisando de cuidados, teve de interromper a carreira de artista para o trabalho integral de mãe em recuperação.

Silvana Mello despontou em 2006, quando teve sua primeira exibição solo na Galeria Choque Cultural. O ano foi o mesmo do término de sua banda de punk, Lava. Desde então, expôs no exterior (Brighton, na Inglaterra), participou de um tributo a Andy Warhol e viu suas obras ficarem mais caras e entrarem em coleções de pessoas eminentes.

O nascimento de Martina foi uma interrupção. Sem condições de trabalhar como antigamente, Silvana escolheu mudar o suporte de sua arte para poder ficar perto da filha. As tintas deram lugar aos bordados. O ritmo de trabaho diminuiu. “Você tem que parar para ser mãe, não tem como”, afirma Silvana.

Agora é tempo de retomadas. Martina está maior, já fala (e bastante), sabe do que gosta (de reggae e da labrador fêmea da família, Kira); está pronta para a escolinha, julga a mãe. Recentemente uma exposição individual sua terminou na Choque, sinal da volta ao trabalho. Martina impediu a mãe de trabalhar, mas também foi incentivo para que ela pensasse em renovação. Silvana só não conta o que vai passar a fazer porque tem medo que outros copiem.

A obra mudança de hábito

A "obra mudança de hábito", um exemplo do feminismo de Silvana

É certo, porém, que o universo feminino continue em sua pauta, na arte e em casa. A educação da filha trouxe novos desafios para as convicções de Silvana, que desde jovem participa de shows, exposições e fanzines com temática feminista. Assim como na arte, ela vai tentar mostrar à filha através de”um bom exemplo”. “ Ela não vê o pai dela me colocando numa posição inferior, é uma relação de igual para igual, os dois têm a mesma função”, conta a artista.

Uma pintura em azulejo localizada na cozinha da casa de Silvana Mello resume bem a nova fase de sua vida. No alto, lê-se “mãe e filha”; abaixo, duas mulheres, uma dando força no muque da menor. Para a artista, esse é o papel que ela terá na vida de Martina, sua mais recente obra.

2 comentários:

Natália disse...

Adorei a matéri e adorei a Martina!
Parabéns, Rodriguezzzzz.

Mas cê tá ligado que o seu texto inicial vai lhe render perseguições de menininhas casadoiras, né? hehehe

beijos!!!

Diogo Rodriguez disse...

Hahahaah, até parece!
Até agora, nada!