10 de ago de 2009

O velho guerreiro está de volta


Para quem acompanha este azul ou verde? conto que meu primeiro filho está de volta à ativa. O quase famoso Eu Garimpo está vivo novamente. Já tivemos colunas em site de internet, em fanzine e 200 acessos diários; fomos até entrevistados pelo Estadão. Acabamos entrando num coma e felizmente saímos.

Se puder, inclua nosso feed no seu Google Reader e fique sabendo do que de melhor se passa em cenas como a da Nova Inglaterra e Dublin.

Entre no Eu Garimpo [música na peneira]. Por favor...

Rock soturno da Nova Inglaterra

Este post não se trata bem de um "recomendo" porque ainda não conheço bem o artista em questão. Trata-se de um "prestem atenção se tiverem tempo, o cara deve ser legal". O nome do moço é Ian "E" Adams. Ele próprio bem definiu o que as suas três faixas disponíveis no Myspace parecem ser: Iggy Pop, Roy Orbison e - adição minha - Nick Cave. Rockabilly, punk, essas coisas boas. Tão divertido que acho que vou comprar o disco.

Amigos da cena de Boston participam do disco, como o estranho Eldridge Rodriguez (além de ser o rei da canção melodramática da Nova Inglaterra, é um dos vocalistas da banda pós-Pixies The Beatings).

Deixo aqui um link para download da faixa "Stay Up Late", que lembra o Glasvegas.

Heath Ledger além-túmulo. Mais uma vez

Hoje descobri que havia mais uma obra inédita do falecido ator-galã Heath Ledger. Além de Batman e de outro filme (qual era mesmo?), existe esse vídeo do Modest Mouse que ele dirigiu. A música se chama "King Rat". É uma animação estranha e bonita, com seres do mar protagonizando uma história mezzo nonsense. Vale a pena.

Modest Mouse - King Rat

8 de ago de 2009

Ronnie Von e seu filho

Uma entrevista que foi bem divertida de fazer. O Ronnie Von era meu tema de TCC inicialmente, mas não deu certo. Ele falou comigo, foi prestativo, o problema foram as outras pessoas que estavam na minha lista. A idéia era fazer um especial para o Dia dos Pais, mas ficou meio em cima da hora.

O príncipe herdeiro

Ronnie Von foi contra, mas Leo Von decidiu seguir os passos de seu pai e se tornar cantor
icone postado
07.08.2009 | Texto por Diogo Rodriguez Fotos Divulgação/Reprodução

Leo Von, o "príncipe-herdeiro"

Leo Von, 22, está prestes a lançar seu primeiro disco. Ainda em fase de produção, o álbum, segundo o filho mais novo do cantor e apresentador Ronnie Von, “vai ser algo que não tem hoje no Brasil, um disco de rock bem-produzido, com músicos profissionais”. Leo parece ter herdado o talento do pai, mas não foi tão simples convencê-lo de que a música era a melhor escolha para o filho mais novo.

Quando Leo Von comunicou a Ronnie que escolhera a mesma carreira que este havia largado há décadas, o pai não se esqueceu de dizer a verdade: “Um dia, num almoço aqui em casa, [eu disse] que ia ser tragédia isso, que ele prestasse bastante atenção no que estava fazendo; essa é uma atividade profissional muito complicada.”.

Do principado à rejeição
Ronnie Von conheceu o céu e o inferno. Nos anos sessenta foi nomeado “príncipe” da Jovem Guarda e arrasou corações com seus olhos verdes e hits como “Meu Bem” e “A Praça”. Mas fez sucesso demais. Tanto, que incomodou Roberto Carlos e sofreu um “boicote” da entourage do rei, segundo suas próprias palavras. "Fui chamado de usurpador do trono." Depois, ao se envolver com o tropicalismo, ajudou a expandir os horizontes do rock brasileiro e lançou em 1967 um disco experimental psicodélico, Nº3. Foi pressionado pela gravadora a voltar ao caminho do sucesso, foi criticado pela imprensa e deixado de lado pelos ex-companheiros tropicalistas.

Abatido, passou a a atender aos pedidos do departamento comercial da gravadora e, segundo ele, não gravou “mais nada que prestasse”. “Tive de seguir, de certa forma, o trilho que me foi imposto por gravadoras, televisão. Eu nunca pude gravar ou fazer o que queria, sempre foi muito difícil” Dessa maneira, começou a colecionar os traumas que o levaram a desaprovar a decisão do filho e deixar de ser cantor.

O usurpador do trono

Não foi só o mundo do show business que não deu trégua a Ronnie. Como seu filho, ele também teve de enfrentar o descontentamento de sua família e de seu pai. Quando decidiu mudar de carreira, abandonando o emprego no banco da família para ser cantor, foi duramente repreendido numa reunião familiar, convocada às pressas porque uma tia sua ouviu o futuro herdeiro cantando no rádio: “todo mundo lá [dizendo] 'onde foi que nós erramos?', 'o menino vai jogar o nome da família na lama', 'esse ambiente é promíscuo'”, conta. Talvez a mais dura tenha sido a reação do pai, que lhe perguntou: “Por que você não vai ser jogador de futebol? O nível é o mesmo”, frase que Ronnie Von não esquece até hoje.

O baque foi forte. Não só não tinha o apoio da família, como teve de sair de casa. Mudou-se do Rio, de onde é sua família e foi para São Paulo morar no centro, no lugar que hoje se chama de Cracolândia. Ainda sem fazer sucesso, ficou “sem grana no bolso, comendo sanduíche de mortadela”.

Gerações reconciliadas
A paz entre pai e filho foi restabelecida num programa da Hebe, entre 1966 e 1967, Ronnie diz não lembrar direito da data. Sem ninguém saber, os dois foram convidados a participar no mesmo dia, e se encontraram no palco: “Foi um encontro emocionante, choradeira. A partir disso, a gente ficou muito agarrado.” E a atitude mudou. De insatisfeito, o pai passou a ser fã do filho, “fãzão”, ressalta o Príncipe.

No mesmo almoço em que Leo foi criticado por Ronnie, o patricarca da família estava presente. Ouviu o discurso em silêncio e depois o chamou: “Acabou o almoço, ele disse: preciso conversar com o senhor. Ele disse: 'Não cometa com o meu neto a imprudência que eu cometi com o senhor. Deixe que ele seja feliz e faça aquilo que ele gosta. Não fale mais nada. Não persiga mais o meu neto'”.

Assim como fez o pai, Ronnie Von também resolveu deixar de lado seus traumas. Passou a apoiar o filho Leo, que segundo ele é “extremamente talentoso”. Viu-se vencido quando parou para ouvir as composições do jovem roqueiro e acabou com ar de pai coruja: “Tenho vergonha de dizer que sou cantor perto dele. Compõe impecavelmente, toca piano, baixo, guitarra. Então, vou dizer o quê para o cara?".

Leo Von segue gravando e compondo seu disco independente, ainda sem data de lançamento definida. Formou-se em Publicidade e Propaganda e trabalha em uma das empresas do pai. Gosta do que faz, mas acredita que sua vocação é ser músico, assim como seu pai acreditava, apesar de ter sido repreendido no começo. Mas, também como seu pai, acabou conquistando seu velho e ganhando um aliado.

Vai lá: site do cantor Leo Von

Leia também a entrevista de Ronnie Von à revista Tpm, na edição 40.

4 de ago de 2009

Namorada Roubada

Parece que a vida acontece na Paulista. Isso, a avenida. Muita gente se amontoa ali, seja pelo prazer de estar na 5ª Avenida brasileira, seja para fugir para o anel exterior de São Paulo. Não vou cair na tentação de fazer a famosa piada que diz que a vida (assim com a Paulista) começa no Paraíso e termina na Consolação). As duas (a vida e a Paulista) são o meio do caminho entre essas coisas. Já estive em todas as possibilidades de gradação entre céu e inferno na Paulista.

Mais uma vez no ônibus, em estado de alfa. É o único jeito de lidar com tanta proximidade enclausurada no meio de mais enclausuramento, dentro de veias sufocantes que desembocam em canais asfixiantes. Normalmente funciona muito bem entrar em processo de metabolismo basal e virar parte dos bancos e balaústres. Uma caixa de chapéu e uma jaqueta roxa não deixaram.

Antes de o carro esvaziar, ela já carregava a caixa, uma mochila e uma bolsa, em pé. Alheia, ou quase, como todos, mas agitada. Respirava forte e tinha cara de cansada. Devia estar querendo chegar logo, talvez não aguentasse mais aquele peso todo, talvez tivesse passado o dia inteiro fora de casa. Já ná Teodoro Sampaio eu não podia mais tirar os olhos de seu rosto.

De repente, a iminência da lotação virou corrida pela escada de três degraus; assentos ficaram vazios. Ela em pé. A caixa na mão direita, a mochila no ombro esquerdo, a bolsa atravessando os ombros e a jaqueta roxa. Pernas que não paravam no lugar. Logo à sua frente havia onde sentar. Ninguém mais estava em pé, eu via a cena mais perto do chão. Olhos cansados aqueles. O cabelo também não estava nos seus dias mais brilhantes, mais brilhosos. Mãos grandes e finas que seguravam o poste amarelo. Aquelas mãos não lixavam nada, macias e sem cor.

Nem suas pernas cansadas e aceleradas, nem a mochila que parecia pesar dez quilos. Foi para o lugar da bunda a caixa de chapéu. Preta, grande. Olhei com mais atenção para a face. Cansada, de fato, mas forte. Lábios grossos, nariz grande. Uma leve arrumada no cabelo. Fabiana, disse em voz baixa. Estuda artes e vai virar personagem de livro.

Passa o Masp, passa a galeria da sonegação de impostos, levanto-me e rezo para que Fabiana não tenha namorado. Suas pernas mexendo, se esticando, contraindo sua pressa. Lado a lado. Vou tomar um café com ela. Saber que leva um chapéu, é artista e atriz, está cansada, mas até que se sente bonita.

Um solavanco é a pista para que eu desça. Estava esperando Fabiana dizer "prazer, sou sua namorada". Que frio fazia na Paulista naquela noite. Fabiana passou seus olhos pelas minhas costas e deixou a caixa de chapéu sentada no banco do ônibus. Acendi um cigarro, guardei Fabiana e dei corda no despertador.