25 de mai de 2010

Playlist do mês_maio 2010

Desde que me conheço por gente, gravo fitas, CD-Rs e, mais recentemente, playlists de acordo com épocas do ano. Mais precisamente, meses. Tenho CDs marcados "março de 2006", "dezembro de 2008" e por aí vai. Assim também se organizam minhas playlists no computador e estou quase fechando a de maio de 2010.

Fiquei um tempo sem fazê-las (desde dezembro de 2009) e vou compartilhar a parcial da mais recente nesse widget do Grooveshark - que é bem legal, mas não tem tudo que se procura. O mais difícil foi achar a banda húngara Kispal és a Borz.



A lista:
1. Rapto_Gustavo Cerati
Faixa do último disco do ex-vocalista do Soda Stereo. Cerati tem sido notícia porque sofreu um AVC depois de um show na Venezuela na semana passada. Ainda não se sabe qual serão as consequências disso, mas espera-se que ele esteja recuperado rapidamente por ser jovem, tem apenas 51 anos. Fuerza, Cerati!

2. Ageless beauty _Stars
Formada por alguns dos membros do Broken Social Scene, o Stars acertou bonito nessa música. Clima shoegazer, voz feminina doce e melodia extremamente pop, apesar do compasso estendido do refrão causar um certo estranhamento. Pena o disco todo, Set yoursel on fire, não ser tão bom quanto.

3. Bang bang _Nancy Sinatra
Filha do "hômi", linda, loira, capa da Playboy. A música é simples, mas tem uma guitarra com tremolo linda, que não é nada óbvia e segue a música meio quebrada, parece que tem vontade própria.

4. I've got it all (most) _Modest Mouse
A cada dia, fico mais fã deles, principalmente do disco Good news for people who love bad news. Puta álbum baita música.

5. Efy fiú agyabán_Kispál és a Borz [foto do post ]
Húngaros, é por isso que você não entendeu nada. Não, eu não falo húngaro. O nome da banda quer dizer "Kispál e o texugo". Kispál é guitarrista solo, András Kispál. Esse parece ser um dos hits da banda. Essa versão com piano e violino (rabeca?), eu não conhecia, só tinha uma mais punk, meio Husker Dü. Vale mais do que só uma busca curiosa, eles têm música realmente boas.

24 de mai de 2010

Joey 59

Falar de aniversários da morte de alguém ou que fulano teria não sei quantos anos hoje é meio deprê - vide todos os especiais sobre o falecimento do Ian Curtis na semana passada. Mas o aniversariante Brás Cubas deste mês merece uma lembrança. A rádio KEXP, de Seattle, disponibilizou uma entrevista inédita com Joey Ramone, feita em 1999. No dia 19 de maio, Joey teria feito 59 anos. 

Clique no link para ouvir a versão integral ou uma editada.

http://blog.kexp.org/blog/2010/05/19/interview-with-joey-ramone/

Música da segunda

Ainda não entendi se os Stars são de Nova York ou Canadá, mas já entendi que são bons e membros do Broken Social Scene, um ótimo coletivo/grupo. Achei esse disco de 2004, Set Yourself On Fire, de onde saiu a bonita faixa "Ageless beauty". Mistura de My Bloody Valentine, Hole, Breeders e shoegaze romântico, a canção não sai do meu playlist. Viciei.

3 de mai de 2010

Quase resenha: Kiki de Montparnasse

É incômodo o conceito de “gênio”. Eles existem e há provas disso por todos os lugares para os quais se olha, mas tudo o que vem atrelado a essa palavra é extremamente desagradável. Uma aura de infalibilidade, de prepotência, de divindade. O gênio é um acaso, um raio que caiu acidentalmente numa árvore qualquer e a pôs em fogo, queimando sua madeira e iluminando seus arredores escuros.

A graphic novel Kiki de Montparnasse (de Catel Muller e José-Louis Boucquet) não nega a existência dessas pessoas supostamente especiais. Aliás, seu tema não é a arte em si, mas sim a vedete, aprendiz de artista e musa Alice Prin, a Kiki do título. Mas o favor que ela faz para relativizar a nossa palavra-problema é enorme. Kiki posou para Modigliani, foi namorada de Man Ray, Ernest Hemingway escreveu o prefácio de suas memórias. Nas páginas da HQ, todos esses incontestes cânones são homens com afazeres. São amantes, admiradores.

Man Ray, astro do surrealismo, chora ao final, lamentando a morte de sua ex-companheira, frequente objeto artístico de seus filmes e fotografias. Era uma mulher, com carnes desejadas por toda Montparnasse, e ossos imprevisíveis, capazes de pertubar o mais asceta dos gênios na Paris em ebulição dos anos 30. Gênios cheiradores de cocaína, frequentadores de bordéis, beberrões. Homens em plena execução de suas funções corporais e sociais. Todos estavam ali nos mesmos momentos, fugindo das mesmas coisas e brigando juntos contra ou a favor do Dada.

Nem para os gregos, tão afins das falhas humanas, poderiam se comparar aqueles homens a deuses quaisquer. Kiki era deusa, mal-educada, atirada, desenvolta demais. Em torno dela gravitavam aquelas mentes brilhantes frente a frente com um quadro ou conjunto de lentes, mas tão fracas quando ofuscadas pelo corpo em chamas da menina de Borgonha. Gênios, idiotas, fracos.

Nas habilidades que me cabem, nunca fui chamado de gênio, tampouco aspiro a isso. Sou homem como Man Ray e Modigliani, como Hemingway, como Picasso. Kiki é a verdade que inflama a vida, que dá sentido e guia as mãos daqueles que veneramos em museus e bibliotecas semelhantes a igrejas. Eu também chamo pessoas de gênios, mas por necessidade de afirmar que suas habilidades são de excelência, que suas artes e capacidades sintetizam a vida de uma maneira que outros não veem. Gênio é aquele que consegue despir o vulgar de suas amarras e colocar à nossa frente o que sentimos quando estamos sozinhos tentando descobrir o que somos. Cada época tem o seu panteão sagrado, cada Paris, sua Kiki de Montparnasse.

Kiki de Montparnasse (2010)
Catel Muller e José-Louis Boucquet  
Galera Record
416 páginas
R$ 54,90

Miss India

As candidatas a Miss India são realmente fora de série. O site IBN Live, da Índia, publicou uma galeria com todas as candidatas. É uma pena que na TV a cabo não exista o canal indiano ainda. Dê uma olhada:

http://ibnlive.in.com/photogallery/1813-0.html?from=tn