8 de ago de 2009

Ronnie Von e seu filho

Uma entrevista que foi bem divertida de fazer. O Ronnie Von era meu tema de TCC inicialmente, mas não deu certo. Ele falou comigo, foi prestativo, o problema foram as outras pessoas que estavam na minha lista. A idéia era fazer um especial para o Dia dos Pais, mas ficou meio em cima da hora.

O príncipe herdeiro

Ronnie Von foi contra, mas Leo Von decidiu seguir os passos de seu pai e se tornar cantor
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07.08.2009 | Texto por Diogo Rodriguez Fotos Divulgação/Reprodução

Leo Von, o "príncipe-herdeiro"

Leo Von, 22, está prestes a lançar seu primeiro disco. Ainda em fase de produção, o álbum, segundo o filho mais novo do cantor e apresentador Ronnie Von, “vai ser algo que não tem hoje no Brasil, um disco de rock bem-produzido, com músicos profissionais”. Leo parece ter herdado o talento do pai, mas não foi tão simples convencê-lo de que a música era a melhor escolha para o filho mais novo.

Quando Leo Von comunicou a Ronnie que escolhera a mesma carreira que este havia largado há décadas, o pai não se esqueceu de dizer a verdade: “Um dia, num almoço aqui em casa, [eu disse] que ia ser tragédia isso, que ele prestasse bastante atenção no que estava fazendo; essa é uma atividade profissional muito complicada.”.

Do principado à rejeição
Ronnie Von conheceu o céu e o inferno. Nos anos sessenta foi nomeado “príncipe” da Jovem Guarda e arrasou corações com seus olhos verdes e hits como “Meu Bem” e “A Praça”. Mas fez sucesso demais. Tanto, que incomodou Roberto Carlos e sofreu um “boicote” da entourage do rei, segundo suas próprias palavras. "Fui chamado de usurpador do trono." Depois, ao se envolver com o tropicalismo, ajudou a expandir os horizontes do rock brasileiro e lançou em 1967 um disco experimental psicodélico, Nº3. Foi pressionado pela gravadora a voltar ao caminho do sucesso, foi criticado pela imprensa e deixado de lado pelos ex-companheiros tropicalistas.

Abatido, passou a a atender aos pedidos do departamento comercial da gravadora e, segundo ele, não gravou “mais nada que prestasse”. “Tive de seguir, de certa forma, o trilho que me foi imposto por gravadoras, televisão. Eu nunca pude gravar ou fazer o que queria, sempre foi muito difícil” Dessa maneira, começou a colecionar os traumas que o levaram a desaprovar a decisão do filho e deixar de ser cantor.

O usurpador do trono

Não foi só o mundo do show business que não deu trégua a Ronnie. Como seu filho, ele também teve de enfrentar o descontentamento de sua família e de seu pai. Quando decidiu mudar de carreira, abandonando o emprego no banco da família para ser cantor, foi duramente repreendido numa reunião familiar, convocada às pressas porque uma tia sua ouviu o futuro herdeiro cantando no rádio: “todo mundo lá [dizendo] 'onde foi que nós erramos?', 'o menino vai jogar o nome da família na lama', 'esse ambiente é promíscuo'”, conta. Talvez a mais dura tenha sido a reação do pai, que lhe perguntou: “Por que você não vai ser jogador de futebol? O nível é o mesmo”, frase que Ronnie Von não esquece até hoje.

O baque foi forte. Não só não tinha o apoio da família, como teve de sair de casa. Mudou-se do Rio, de onde é sua família e foi para São Paulo morar no centro, no lugar que hoje se chama de Cracolândia. Ainda sem fazer sucesso, ficou “sem grana no bolso, comendo sanduíche de mortadela”.

Gerações reconciliadas
A paz entre pai e filho foi restabelecida num programa da Hebe, entre 1966 e 1967, Ronnie diz não lembrar direito da data. Sem ninguém saber, os dois foram convidados a participar no mesmo dia, e se encontraram no palco: “Foi um encontro emocionante, choradeira. A partir disso, a gente ficou muito agarrado.” E a atitude mudou. De insatisfeito, o pai passou a ser fã do filho, “fãzão”, ressalta o Príncipe.

No mesmo almoço em que Leo foi criticado por Ronnie, o patricarca da família estava presente. Ouviu o discurso em silêncio e depois o chamou: “Acabou o almoço, ele disse: preciso conversar com o senhor. Ele disse: 'Não cometa com o meu neto a imprudência que eu cometi com o senhor. Deixe que ele seja feliz e faça aquilo que ele gosta. Não fale mais nada. Não persiga mais o meu neto'”.

Assim como fez o pai, Ronnie Von também resolveu deixar de lado seus traumas. Passou a apoiar o filho Leo, que segundo ele é “extremamente talentoso”. Viu-se vencido quando parou para ouvir as composições do jovem roqueiro e acabou com ar de pai coruja: “Tenho vergonha de dizer que sou cantor perto dele. Compõe impecavelmente, toca piano, baixo, guitarra. Então, vou dizer o quê para o cara?".

Leo Von segue gravando e compondo seu disco independente, ainda sem data de lançamento definida. Formou-se em Publicidade e Propaganda e trabalha em uma das empresas do pai. Gosta do que faz, mas acredita que sua vocação é ser músico, assim como seu pai acreditava, apesar de ter sido repreendido no começo. Mas, também como seu pai, acabou conquistando seu velho e ganhando um aliado.

Vai lá: site do cantor Leo Von

Leia também a entrevista de Ronnie Von à revista Tpm, na edição 40.

2 comentários:

Anônimo disse...

Aiiii! Acho o Von I lindooo! O Vonzinho nem tanto. O texto reforçou a impressão que tenho dele: é um gentleman.

TRUFAS E PAO DE MEL!! disse...

Oie Leo Von!!

Adorei vê-lo hoje no programa!!!

beijokinhas milll

Karin Runge