Parece que a nova onda é resgatar o funk (americano) e deixá-lo mais pesado e até um pouco punk. Não confundamos com o finado "discopunk", o hype da década passada. Vi no blog do Ryan Spaulding que a banda Evolfo Doofeht é mais uma que se junta ao time dos punk-funkers (The Heavy é outro exemplo). Eles se autodefinem como ciganos do funk e vão lançar seu segundo EP em duas semanas. A música "You Light Me Up"é a primeira do novo disco a ganhar clipe.
Ouça aí embaixo o primeiro EP dos massachussetiannos, que está disponível para download grátis:
Eu não conhecia os The Bar-Kays, uma baita de funk americana. Começaram no fim dos anos 60, tocando com Otis Redding e outros artistas da Stax Records. Depois de mortes de integrantes e outras reformulações, a banda seguiu para a Mercury Records nos anos 70 e até hoje toca, apesar de só ter um membro da formação original.
Esse vídeo saiu do documentário de 1973 chamado Wattstax. A música é "Son of Shaft" e foi cortada. A versão original teria quase 10 minutos. E, mais uma vez, vi isso no Dangerous Minds, baita blog. Ponha no seu feed.
Em São Paulo, sem hesitar, sou Gaviões, desde pequeno. Era fácil escolher porque ser corinthiano implica em ser Gavião - se você realmente gosta de Carnaval. Já em 1995 pude comemorar um título (o primeiro que ganhamos) e meu coração já estava ganho.
Como bem disse a Eva Uviedo, quem não gosta de Carnaval sempre diz que torce para a Vai-Vai em São Paulo e no Rio, para Mangueira ou Beija-Flor (o povo da USP diz Portela por causa do Paulinho da Viola). Bem vivo que estava, não ia atrás nem da verde-e-rosa, nem dos discípulos do Neguinho. Foi no Carnaval de 1997 que a Viradouro me escolheu.
O abre-alas era, na verdade, o "arregaça-alas". Joãosinho Trinta resolveu começar o enredo da escola ("Trevas, Luz, a Explosão do Universo") com um carro quase todo preto, sinistro.
Era bem chocante, e uso essa palavra num sentido nada Armação Ilimitada. Fiquei impressionado, no alto dos 13 anos que eu já havia completado. Hoje, mais velho e supostamente culto, penso que o esquema de cores lembra muito as pinturas de El Greco. Escuridão intensa, que nada tem a ver com uma morte tranquila. Gosto de El Greco por causa de Joãosinho Trinta.
Não vou mentir e dizer que lembro muito mais do que isso, mas sei que a partir de tal Carnaval, tenho uma escola de samba no Rio. Claro, sem esquecer que foi a primeira vez que uma bateria fez a paradinha em ritmo de funk - no 2:50 do vídeo dá para ouvir mais ou menos; o Vanucci resolveu falar bobagens bem na hora.
Sou Viradouro mais uma vez, apesar de não ganharmos mais nada (assim como a Gaviões). Mas quem sabe 2010 não seja como 1997 no Carnaval (Gaviões e Viradouro campeãs) e 1998 no futebol (o mais fantástico título brasileiro das últimas décadas). Espero, serenamente, o fim de semana e o começo da Libertadores.
Veja também: Joãosinho Trinta entrevistado pela Trip:
Dessa vez investi nos pianistas/tecladistas. Um é um piano hero (para mim), outro que venho descobrindo recentemente.
Dr. John - Anutha Zone
Ele é um dos maiores músicos da história do blues. Começou em New Orleans nos anos 70, cantando em creole e fazendo zydeeko com letras sujas. Incorporou o funk e gravou um dos melhores discos de todos os tempos (Right Place, Wrong Time). Dos anos 80 para cá ficou menos relevante, mas conseguiu emplacar uma sequência de álbuns muito bons nos anos 2000. Não é o caso de Anutha Zone, de 1998. Apesar de não ser de todo ruim, faltou feel, um pecado em termos de blues. A produção é bem sem-graça também. Diferente do Dr. John que eu vi no Tim Festival de 2005, destruindo tudo com uma puta banda.
Há algum tempo atrás, o Stevie Wonder era para mim só um cantor coxinha que tinha feito sucesso nos anos 80. Aí eu descobri "Superstition" e percebi que um dos meus guitar heroes, Stevie Ray Vaughan, já tinha feito um cover dessa música. O disco todo é bom. Aquele timbre de teclado que rasga na faixa mais famosa de Talking Book está em todas as faixas, não tão animadas, mas muito boas também. Esse é um clássico.
Sou jornalista e trabalho em várias frentes: música, tecnologia, comportamento e sociedade. Escrevo para jornal, revista e internet. Faço o podcast semanal Super8ito e arrisco uns poemas. Meus textos saem na Vida Simples, na Mundo Estranho e no Estadão.