O jogo desta noite contra o Racing está me lembrando do Corinthians do começo da minha infância, times que jogavam feio, ganhavam de pouco em partidas sempre sofridas e dramáticas. Sofrer é uma exigência para os corinthianos.
Junto da memória, veio uma canção que eu não cansava de ouvir numa fita branca, no três em um da sala do meu antigo apartamento: "Corinthians do meu coração", do Toquinho. Achei essa versão só com voz e violão, mas a faixa que conheci era em ritmo de marcha de Carnaval, com gols do Timão narrados e grito de torcida.
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14 de abr. de 2010
10 de fev. de 2010
Lá vem a Viradouro aí!
Em São Paulo, sem hesitar, sou Gaviões, desde pequeno. Era fácil escolher porque ser corinthiano implica em ser Gavião - se você realmente gosta de Carnaval. Já em 1995 pude comemorar um título (o primeiro que ganhamos) e meu coração já estava ganho.Como bem disse a Eva Uviedo, quem não gosta de Carnaval sempre diz que torce para a Vai-Vai em São Paulo e no Rio, para Mangueira ou Beija-Flor (o povo da USP diz Portela por causa do Paulinho da Viola). Bem vivo que estava, não ia atrás nem da verde-e-rosa, nem dos discípulos do Neguinho. Foi no Carnaval de 1997 que a Viradouro me escolheu.
O abre-alas era, na verdade, o "arregaça-alas". Joãosinho Trinta resolveu começar o enredo da escola ("Trevas, Luz, a Explosão do Universo") com um carro quase todo preto, sinistro.

Era bem chocante, e uso essa palavra num sentido nada Armação Ilimitada. Fiquei impressionado, no alto dos 13 anos que eu já havia completado. Hoje, mais velho e supostamente culto, penso que o esquema de cores lembra muito as pinturas de El Greco. Escuridão intensa, que nada tem a ver com uma morte tranquila. Gosto de El Greco por causa de Joãosinho Trinta.
Não vou mentir
e dizer que lembro muito mais do que isso, mas sei que a partir de tal Carnaval, tenho uma escola de samba no Rio. Claro, sem esquecer que foi a primeira vez que uma bateria fez a paradinha em ritmo de funk - no 2:50 do vídeo dá para ouvir mais ou menos; o Vanucci resolveu falar bobagens bem na hora.Sou Viradouro mais uma vez, apesar de não ganharmos mais nada (assim como a Gaviões). Mas quem sabe 2010 não seja como 1997 no Carnaval (Gaviões e Viradouro campeãs) e 1998 no futebol (o mais fantástico título brasileiro das últimas décadas). Espero, serenamente, o fim de semana e o começo da Libertadores.
Veja também: Joãosinho Trinta entrevistado pela Trip:
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