Não estou falando do aniversário de morte de ninguém. E sim, do nascimento de um das ferramentas mais valiosas que temos. Hoje é também o aniversário da Constituição de 1988. Em 5 de outubro, Ulysses Guimarães, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, fez o discurso de promulgação da carta. Depois de 22 anos de ditadura, o Brasil tinha uma das mais modernas constituições do mundo. Porque não há nada que assegure uma democracia se não houver um corpo de leis criadas e garantidas por valores democráticos.
Veja aqui o discurso de Ulysses Guimarães:
E aqui, a reportagem do Jornal Nacional sobre o fato:
Comprei os dois primeiros discos da nova coleção de CDs da Folha (comprei um pelo preço de dois) e tive uma pequena surpresa ao ouvir o volume do Frank Sinatra. A essa altura do campeonato, achei que não poderia haver novidades no velho Sinatra, mas topei com a "The Coffee Song". Se nosso país não estivesse num momento tão bom, alguém haveria de ficar ofendido com essa letra.
Primeiro, ela fala do café brasileiro. Imagino que na época em 1946 pouco se sabia sobre nós a não ser aquele velho e batido estereótipo agrossexual. Sinatra canta que " não se encontra refrigerante de cereja [no Brasil] porque todos têm de tomar sua cota [de café]; eles têm zilhões de toneladas de café no Brasil". A coisa continua, e a letra diz que os "plantadores em Santos" dizem "não" quando se pede por suco de tomate ou de batata (?). É tanto café que as garotas daqui "cheiram a coador".
Acho que seria quase impossível (quase, veja bem) que algo parecido fosse feito hoje, com todo o hype e interesse que o Brasil vem despertando. O velho "Blue Eyes"já se foi e com aqueles tempos em que nada parecia parar o domínio dos EUA sobre a cultura pop. Por isso, prefiro encarar essa música como uma piada datada. E aproveito para retrucar o bom-humor da "The Coffee Song" lembrando uma velha tirada do Monty Python sobre a cerveja dos EUA, mas que também serve para o café americano:
"American beer is like making love in a canoo. It's fucking close to water." A cerveja americana é parecida com fazer amor numa canoa. É uma porra que parece com água (tradução livre).
Cheers, mate!
E não estou falando do Brasil. O ex-atleta olímpico Juanma Iturriaga, do basquetebol espanhol, descreve como seus conterrâenos mudam rapidamente de opinião frente à obtenção ou não de medalhas na Olimpíada. Muito parecido conosco.
No nosso caso, saímos de um primeiro dia de competições achando que íamos ganhar tudo. O ouro de Sara Menezes e a prata de Thiago Pereira foram enganosos. Depois, veio uma profunda descrença, com eliminações e bronzes a granel. Com a Espanha, aconteceu o inverso. Demorou dez dias para a Espanha ganhar alguma coisa em Londres. Ontem foi o dia da redenção, com quatro medalhas logo de uma vez. Iturriaga diz:
"Pasamos del 0 al 100, de la depre a la euforia, de ser la leche de malos
a ser la pera de buenos (y viceversa), del 'este año no nos comemos
nada' al 'este año nos lo comemos todo' con más rapidez de la que
desaparecieron millones de euros en Bankia ¿10 días para tres medallas? Pues 10 horas para cuatro."
A ironia disso tudo é que se o futebol masculino levar o ouro, todo o resto será esquecido. Ninguém mais vai se importar com a falta de verbas para as argolas de Zanetti, com o vento, com nada. A euforia vencerá e contará a história, como falsa vencedora.
Anúncio na vitrine de uma loja de móveis na rua Teodoro Sampaio, zona oeste de São Paulo.
Boom da economia ou falta de mão-de-obra qualificada? Os empregos florescem pelo país, como cogumelos após uma temporada de chuva. Duas matérias mostram um pouco do que está acontecendo:
E a trilha sonora para o post é "We are all bourgeois now", da banda inglesa McCarthy.
"But we are all bourgeois now
Once there was class war
But not any longer
Because baby we are all bourgeois now
So go out and make your way in the world"
Estou postando esta música não por apego às datas patrióticas nacionais, mas pela curiosidade (bizarrice) desta pequena pérola que descobri outro dia ao fuçar efemérides pela internet. A banda contemporânea da Jovem Guarda Os Incríveis gravou uma uma versão "roque" do Hino da Independência do Brasil. Isso nos anos 70, ou seja, fica bem claro em que lado da cerca eles deviam estar.
Engraçado é isso nunca ter aparecido em revistas, jornais e documentários. Minha impressão é a de que se pensa que os roqueiros necessariamente eram apolíticos (como o Roberto Carlos) ou eram (são?) de direita. Isso não é verdade, apesar do que o pessoal da bossa nova gosta de dizer.
Sou jornalista e trabalho em várias frentes: música, tecnologia, comportamento e sociedade. Escrevo para jornal, revista e internet. Faço o podcast semanal Super8ito e arrisco uns poemas. Meus textos saem na Vida Simples, na Mundo Estranho e no Estadão.