29 de jul de 2011

E agora, Tio Sam?

Os jornais e portais não param de falar sobre o possível (embora improvável) calote que os EUA estão prestes a aplicar no mundo. Mas será que todo mundo sabe do diabos se trata isso? E por que raios isso importaria para o resto do mundo? Juntando informações aqui e ali, compilei um P&R (pergunta e resposta, não Paulo Ricardo) com as principais dúvidas que eu e meus semelhantes temos sobre essa crise que se avizinha. O dia 2 de agosto (terça) é a data para a resolução ou confirmação dessa crise política e - quem sabe - econômica.


Para o pessoal não ficar muito tenso (é importante manter o bom-humor em situações difíceis), compilei cinco canções sobre falta de grana que pode ser ouvida enquanto se lê este post:




***Leitores economistas: sintam-se à vontade para apontar os enganos que eu possa ter cometido.

O que é a dívida americana?
É o dinheiro que os EUA devem a diversos credores (quem empresta). Esse dinheiro é usada para manter a União americana funcionando: pagar salários, outros empréstimos, dívidas em geral.

Por que isso virou um problema de repente?
Porque os EUA tem um mecanismo que diz que o Congresso precisa aprovar um limite maior de endividamento do país (o Brasil não tem, por exemplo; o governo pode se endividar mais sem a aprovação explícita do Congresso, mas todo ano presta contas a ele). No caso dos EUA, esse limite (14,3 trilhões de dólares) foi atingido. Para que o governo possa contrair mais dívidas, é preciso autorização dos Deputados e do Senado. O problema é que os republicanos decidiram jogar duro para deixar isso passar no Congresso e agora pedem que também sejam aprovados cortes de gastos que - segundo eles - são altos demais na gestão Obama. Os cortes exigidos teriam de ser feitos em programas sociais do governo, uma das principais bandeiras de Obama e algo que os republicanos abominam.

Até quando isso tem de ser resolvido?
Até terça que vem.

E se não houver acordo?
Os EUA não poderão pagar todas as suas dívidas porque não poderão tomar dinheiro emprestado, já que não poderão tomar novos empréstimos. Terão de escolher entre pagar seus credores internacionais e pagar salários de militares e aposentadorias. 

Onde está essa dívida?
Em vários lugares. Em títulos do tesouro americano, que estão espalhados nas mãos de pessoas, governos e empresas. Esses títulos são uma outra maneira de os EUA arrecadarem dinheiro, para além dos impostos. E outros países, como a China, que é o maior credor estrangeiro dos EUA. 

Por que tanta dívida?
Bom, em primeiro lugar, a crise de 2008, que fez o governo americano gastar trilhões de dólares para salvar bancos e garantir que o país não entrasse numa crise ainda mais grave. Depois, há as duas guerras em curso: Iraque e Afeganistão que, estima-se, já custaram 4 trilhões de dólares desde 2001. 

Qual é o problema de não pagar a tal dívida?
Os EUA perdem a confiança do mercado. Mais ou menos o que está acontecendo na Grécia, que teve de fazer um corte nos gastos públicos para poder se endividar mais e tomar um empréstimo no FMI. No caso do Brasil, como temos muito dinheiro de nossas reservas investidos nesses títulos do tesouro, seria particularmente ruim. Teríamos de procurar outras alternativas de investimento. Mas isso está ficando cada vez mais difícil, já que o mundo ainda não se recuperou da crise de 2008. 

Então pode ser que os EUA deem calote?
Na teoria sim. Muita gente duvida disso, já que o país tem a principal economia do mundo. Esse drama todo pode ser só uma jogada dos republicanos para pressionar Obama.

Nenhum comentário: