29 de nov de 2010

Arte ataca

Veja bem a foto acima. Ela mostra um dos ônibus que foram explodidos em Londres em 2005, num ataque terrorista que matou 52 pessoas. Olhe também a foto abaixo. É uma foto jornalística do fato, sem a intervenção do artista Mark Sickler. Ele tem sido bombardeado pela mídia e a população por usar uma imagem traumática e forte numa obra sua. A galeria que representa Sickler porá à venda 100 reproduções de "Age of shiva", o nome do quadro (?), ao custo de 150 libras cada.


A pergunta de um milhão de libras é: Sickler está sendo ofensivo? Ele passou dos limites e mexeu com algo que não deveria? É justo usar um fato traumático para fazer arte? Isso é arte? Difícil responder a essas questões. Deve existir limite para a arte? Ela tem linhas bem-definidas de ação? Outra coisa importante a se pensar é se a reação da "sociedade" a uma obra não diz mais sobre a própria sociedade do que sobre a obra e suposta polêmica que ela causa. Lembremos do recente caso dos urubus de Nuno Ramos. Não tiveram nenhum problema em Brasília, tinham todas as autorizações para estarem na Bienal de São Paulo e de repente tudo virou uma questão moral confusa, que terminou com a retirada dos bichos. E o fim da obra mais relevante apresentada na 29ª Bienal.

O pepino agora está com Sickler e os ingleses. Vamos observar esse caso para ver como eles reagirão. Quem sabe isso não é uma pista de como anda o mundo e o quanto de terreno o politicamente correto vem ganhando. 

Para saber mais sobre o caso: leia reportagem da CBC News

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