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3 de jan. de 2013

As gêmeas vêm aí

Em 2013 os Breeders comemoram 20 anos do seu melhor disco, "Last Splash". Se você não sabe do que estou falando, ouça aí em embaixo a faixa mais famosa, "Cannonball" - incrivelmente, ela tocou no rádio até aqui. É claro que haverá uma turnê para celebrar esse aniversário e as chances são grandes de ela passar pelo Brasil.



A banda tocou aqui pela primeira vez em 2003, no falecido Curitiba Pop Festival.  Reza a lenda que Kim Deal ficou tão impressionada com o fanatismo dos brasileiros que convenceu os Pixies a passarem por aqui no ano seguinte com sua "pré-turnê" de reconciliação. O Brasil foi o único país da América do Sul a vê-los naquela época.

Voltaram para o Planeta Terra de 2008 e fizeram um baita show. Deu para ver que as Deals ficaram emocionadas com a resposta do público. E elas mereceram. Não economizaram na simpatia e na distorção e tocaram tudo e mais um pouco. Ainda não há datas fechadas, mas já dá para ficar animado.

Veja aqui, o pessoal ensaiando a música "New Year XX" no porão da Kim Deal:

20 de dez. de 2012

Nova York em chamas


Uma boa parte da história da música pop dos últimos 40 anos tem a ver com Nova York. Rock artístico, rock proletário, punk, minimalismo, hip hop, disco e até a salsa tiveram na capital cultural dos EUA um lugar para crescer e se difundir pelo mundo. A lista de artistas que começaram ou se consagraram por lá é impressionante e serve como atestado da importância de Nova York: Patti Smith, Television, New York Dolls, Bruce Springsteen, Talking Heads, Blondie, Steve Reich, Philip Glass, Laurie Anderson, John Cale, Lou Reed, Grandmaster Flash, Nicky Siano, Wynton Marsalis, Anthony Braxton, Tito Puente, Rubén Blades, Celia Cruz e a lista nunca termina.

E o período entre 1973 e 1977 foi particularmente prolífico. Por isso o jornalista Will Hermes escreveu "Love Goes To Buildings On Fire" (título de uma música da banda de David Byrne), que saiu dia 8 de novembro nos EUA. Hermes não tenta explicar os motivos de tanta vida artística. Sem entrar no gênero do ensaio cultural, ele contextualiza de maneira detalhada o que estava acontecendo naquela época confusa.

Claro, ele fala dos casos de amor, das brigas, dá a data exata de shows - assim como o preço do ingresso e da cerveja -, conta os bastidores da gravação de discos e mapeia as ligações entre bandas, cantores e músicos. Porém, o retrato geral que ele faz da época que NY vivia é tão completo que o livro é indispensável para quem gosta de cultura e não só dos artistas citados no livro.

Hermes relata episódios importantes da política nova-iorquina e americana, resgata notícias sobre crimes e outros eventos relevantes que não estão diretamente ligados aos personagens principais, os músicos. Segundo o retrato que o jornalista pinta, a cidade não era tão distante da nossa São Paulo, violenta, sempre dando a sensação de que falta pouco para entrar em colapso devido à insegurança, a falta de serviços públicos, de empregos e opções de lazer.

De fato, Nova York quase foi à falência em 1975, e o então presidente Gerald Ford quase deixou a cidade na mão, ao recusar ajuda do governo federal. Eventualmente ele voltou atrás, mas ficou famosa a manchete do jornal New York Daily News repercutindo a decisão de Ford: "Ford to NY: Drop dead"(algo como, "Ford diz a NY: se vira").

Outra bola dentro do livro é assumir o envolvimento emocional do autor com seu objeto. Hermes era garoto quando tudo estava acontecendo e foi a vários dos shows, comprou discos, frequentou os bares por onde seus ídolos circulavam. Se o relato perde em objetividade, ganha ao ter a visão de um insider, alguém que morava em Nova York (no Queens, fora da ilha de Manhattan) e teve o privilégio de acompanhar o surgimento da cena.

"Love Goes To Buildings On Fire" agrada aos iniciados em história do rock pelas informações "históricas" da cidade e por juntar todas essas diferentes cenas na mesma narrativa. Para quem não conhece muito bem o assunto, o livro detalha a história de uma cidade que vivia uma tremenda crise social e política, mas, ao mesmo tempo, gerava frutos culturais que marcaram a história da música mundial.

Love Goes To Buildings On Fire
Will Hermes
US$ 9,94 na Amazon (ebook)

E aqui vai uma playlist só com um gostinho da música dessa Nova York em chamas:

14 de dez. de 2012

MP3 Grátis: Quatro coletâneas de gravadoras indie


No site da Noisetrade, você consegue baixar quatro compilações com faixas dos artistas de três  gravadoras indie americanas (clique nos nomes para baixar). Esse é um bom jeito de fugir um pouco (bem pouco) do que as revistas mais cool dizem que é bom ou não. Já descobri muita banda boa ovindo esses discos de amostra grátis.

Ato Records (Alabama Shakes)
Anti Records (Calexico, Dr. Dog)
Frenchkiss (Eric Copeland)
Nettwerk (Young Liars)


13 de dez. de 2012

Super8ito #14 - Anarco-Punk

Lá vamos nós para uma mais uma edição do Super8ito, nosso podcast temático semanal. Nessa semana que ainda está longe o suficiente do Natal e Ano-Novo (esperem pelos nossos especiais de fim de ano!), fizemos um programa sobre bandas anarco-punk. Como sempre, são oito faixas. E dessa vez, o barulho é forte. Clique no play aí embaixo para ouvir:

3 de dez. de 2012

Especial Cuarteto de Nos (Uruguai)


Excelente esse programa especial da Rádio Elétrica sobre a banda uruguaia Cuarteto de Nos. Maria Laura Vieira selecionou as melhores faixas dos 28 anos de carreira dos roqueiros. Como é de praxe, mais um grupo que passou em branco no Brasil, que não tem o costume de dar muita bola para a música dos nossos vizinhos. Nem me lembro como fiquei sabendo deles. O primeiro disco que ouvi foi o excelente Raro (2006), que recomendo como primeira incursão no universo irônico do Cuarteto.

Clique no link abaixo para ouvir ou baixar o programa:
www.radioeletrica.com/blog/?p=987

29 de nov. de 2012

Fernanda Takai na Vida Simples

Texto publicado originalmente na revista Vida Simples

FOTO: Luiz Paulo Assunção/Divulgação
Em 2007, Fernanda Takai deixou um pouco de lado o rock meio maluco do Pato Fu para emprestar sua voz a canções diferentes. “Onde Brilham os Olhos Meus” levou a vocalista ao papel de cantora, interpretando o repertório que consagrou a bossanovista fundamental Nara Leão (1942-1989). Foi uma certa surpresa ouvi-la mudar de campo de jogo, mas uma do tipo agradável.
Takai continua sua aventura pelos meandros da música brasileira, mas agora com a companhia de alguém que, como ela, é formado no rock. Melhor ainda, ex-membro de uma banda do primeiro do time, o The Police. “Fundamental” juntou Andy Summers e Fernanda Takai e fez par do rock dos anos 80 com a bossa nova. Summers ouvu o tributo de Takai a Nara, e compôs todas as faixas para a voz dela, já pensando em um disco conjunto.

Das onze faixas do disco, cinco são cantadas em português, com versões das originais de Summers feitas por Takai, John Ulhoa (seu marido e colega de Pato Fu) e Zélia Duncan. A mistura funciona. Rock e bossa-nova se equilibram sem forçar a barra para nenhum dos lados, A voz de Takai fez uma bela amizade com as seis cordas de Summers e sua bossa estrangeira.

Como você conheceu o Andy Summers?
Foi em 2009, por intermédio do Roberto Menescal que deu a ele meu primeiro disco solo. Andy gostou de minha voz e me chamou pra participar do documentário que fez sobre a influência da bossa nova na vida dele. Dois anos depois ele me mandou um email contando que já tinha escrito 18 canções pensando na minha voz e se eu gostaria de fazer um disco em dupla. Foi surpreendente.

Você é fã do The Police?
Gosto muito da banda, mas preciso confessar que sou mais fã do Duran Duran... A banda do Andy é de uma geração um pouco anterior ao rock inglês anos 80 que ouvi muito quando era adolescente: The Cure, The Smiths, EBTG, New Order, Eurythmics. Acho que ele sabe disso.

Quando aconteceu o primeiro contato?
Recebi as canções no segundo semestre do ano passado, ficamos trabalhando por email para selecionar o repertório, pois ao todo foram 25 canções que eu tinha em mãos.  Resolvi fazer as versões com Zélia e John e até minha viagem à Califórnia, fomos deixando tudo o mais acertado possível: tonalidades, ajustes em frases, andamento...


Quando começaram a trabalhar juntos?
Viajei em março deste ano, fiquei por 10 dias lá. Gravava de 10 da manhã às 7 da noite. Registrei 11 faixas em inglês, 5 em português e uma em japonês, sem contar todos os respectivos backing vocals. Trabalho intenso, mas recompensador, principalmente porque depois das sessões a gente ia comer muito bem nos restaurantes favoritos dele. Eu adoro essa parte!

Esse já é seu segundo disco como intérprete de bossanova. O rock cansa às vezes?

Qualquer estilo puro demais cansa. Na minha banda nunca fiz rock "de raiz". Acho que sempre tive elementos diferentes em nossas canções. Mas eu acho que este disco não é só de bossa nova. Tem pop, rock, jazz, baião... tudo bem misturadinho e temperado!

Foi difícil gravar com um músico que é referência no rock e na música em geral?

Não, porque ele é uma pessoa muito tranquila, faz as coisas de um jeito objetivo, pé no chão. Mesmo sendo uma lenda, dirige o próprio carro, sabe organizar o próprio dia a dia. E também, Andy me chamou pra que eu cantasse exatamente do mesmo jeito que venho fazendo há 20 anos, ou seja, me deu segurança.

Até bem pouco tempo o Brasil recebia poucos shows internacionais. Agora, temos diversos festivais e nossos artistas vêm despertando o interesse de nomes consagrados do pop mundial. Na sua opinião, ocupamos uma posição diferente na cultura mundial hoje?
O Brasil sempre foi referência de boa música, mas hoje os encontros acontecem com mais naturalidade por causa da rota de shows, da internet, da facilidade que se tem em fazer contatos com gente do mundo inteiro. As pessoas gostam de ouvir o português também. E a bossa nova sempre teve um papel importante nisso.

16 de out. de 2012

Super8ito: Pega ladrão!

Em tempos de condenações e julgamentos no mensalão, é hora de homenagear os réus de todos esses processos. Por isso, selecionamos as melhores faixas sobre ladrões, pilantras e falcatruas. Sim, porque a democracia funciona e mesmo quem foi corrupto e poderoso vai parar atrás das grades. E que venha o julgamento do mensalão mineiro!

11 de out. de 2012

Faixa do feriado; Holger

Confesso que o primeiro disco do Holger passou batido por mim. Aqui e ali ouvi falar da banda, show no MIS, outro acolá, mas nunca topei com o tal disco. Difereente foi agora, especialmente ao ouvir "Ilhabela", primeiro, digamos, single, do novo disco deles, de mesmo nome. Surpresa total. Psicodelia dos anos 2000, com um pouco de música brasileira, refrão bacana ("Bora lá!"), embrulhados por um instrumental extremamente competente. E a produção, claro, do nível dos melhores do Brasil e do mundo.

"Ilhabela" já vale o disco. Desde "Ventura", dos Los Hermanos, não ouço conterrâneos brasileiros dando identidade nacional ao rock sem cair em sambinha sem-vergonha ou apelar para clichês oitentistas - oriundos da última época em que nossa música pop fez algo decente de verdade. Bom, tem a a Gaby Amarantos, é verdade. Linda e original, misturando tudo sem pudor. Holger fez isso também em "Ilhabela". E fez tão bem...



Baixe a faixa "Ilhabela" de graça

8 de out. de 2012

Super8ito no ar! Os brutos também amam: amor e rock pesado

O que é pesado, grudento, cabeludo e só veste preto? Um metaleiro apaixonado! Nessa semana, o Super8ito selecionou as mais lindas e pesadas canções de amor. Sim, porque eles também amam, apesar de todo o peso, distorção e pose. De Metallica a Pantera, de Ozzy Osbourne a Bruce Dickinson, em todos os corações vestidos de preto bate um coração.

6 de out. de 2012

Playlist especial de eleições!

Para acompanhar esse dia tão especial (e não estou sendo irônico), eis aqui uma playlist também especial para acompanhar dsse dia de eleições. Quase todas as seis faixas tiram sarro ou ironizam o sufrágio e os políticos, para não nos deixar esquecer que a democracia deve ser o regime onde as opiniões contrárias podem conviver e disputar a preferência dos cidadãos sem que nenhuma seja imposta à sociedade.

E o dia promete. Aqui em São Paulo, a disputa está embolada entre os três primeiros candidatos. Impossível saber o que vai acontecer. O segundo turno só será definido no final da apuração de votos. Emocionante, pessoal. Vou separar um pacote de pipoca e passar o fim de domingo na frente da TV.




10 de set. de 2012

Super8ito: Música dá pitaco na política


Saiu mais uma edição do Super8ito. Depois da homenagem à Isadora Faber na edição passada, agora selecionamos oito músicas que misturam melodias, acordes e política. Em comum, os artistas dessa semana têm a vontade de fazer uma denúncia, um comentário ou um desabafo sobre a política. E não necessariamente são artistas "engajados". Então, aproveite que a política está no ar com as eleições municipais no Brasil e as presidenciais nos EUA e deixe-se levar pela batida da mudança!



Super8ito - Edição 03 - Quando os músicos resolver dar pitaco na política

1. Plebe Rude - Até Quando Vamos Esperar?
2. Lou Reed – Good Eveing Mr. Waldheim
3. Dr. John and The Lower 911 - Time for a Change (com Eric Clapton)
4. Nina Simone - Mississippi Goddamn
5. Caetano e Gil – Haiti
6. Dixie Chicks - Not Ready to Make Nice
7. Tom Robinson - Glad to be gay
8. Public Enemy - Fight the power

31 de ago. de 2012

Super 8 - Homenagem a Isadora


Essa semana ficamos conhecendo a jovem Isadora Faber, 13, que deixou o pessoal da escola pública dela em pé. Tudo de ruim que acontecia estava sendo relatado na página que Isadora criou no Facebook, o Diário de Classe. Com seu celular em mãos, ela começou a registrar em fotos, vídeos e também relatos o cotidiano sofrido de sua sala.

Quando foi descoberta, a garota virou celebridade. Todos os veículos quiseram uma entrevista, milhares correram para curtir sua (antes) pequena página. Ela se tornou um (raro) bom exemplo de como a internet pode ser usada sim para causar mudanças, para disseminar informação relevante e como ela pode reverter a hierarquia de quem controla a versão oficial dos fatos. Isadora fez as autoridades correrem atrás do prejuízo.

É através desse tipo de ação descentralizada, consciente, pelo bem de várias pessoas é que devemos fazer política. Precisamos sim dos políticos, apesar de muitas vezes estarem desconectados da realidade. Mas não devemos fugir à missão de agirmos como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades sobre tudo que envolve nossa vida. Por isso eu e José Rodrigo fizemos mais uma edição do Super8ito em homenagem a Isadora.

Vai, Isadora!



Super8 – Homenagem a Isadora Faber

1. The Smiths  - The Headmaster Ritual
2. The White Stripes – We’re Gonna Be Friends
3. Jerry Lee Lewis – High School Confidential
4. Dave Edmunds – High School Nights
5. The Kinks – Headmaster
6. Paralamas – Assaltaram a Gramática
7. Beatles – Getting Better
8. Jackson 5 – ABC


17 de ago. de 2012

Música da sexta: Japandroids


Na última sexta-feira falávamos de banjos e redenção, agora o instrumento de reerguimento é boa e velha guitarra do Japandroids. Sim, guitarra no singular porque é uma só. E uma bateria. Nada mais. Trata-se de uma dupla canadense que só precisa disso para fazer um rock grandioso, ao estilo de Bruce Springsteen e Sugar. Formada em 2006, a banda acaba de lançar seu segundo disco, "Celebration Rock", título muito adequado a seu som. Arrependa-se de seus pecados, levante as mãos para cima e cante com o Japandroids em "The House That Love Built":



Se você gostar, pode ouvir o disco inteiro. Clique na capa para comprar o álbum:

7 de ago. de 2012

Faixa da semana: Bob Mould

Gosto muito de Hüsker Dü e sei da importância da banda para a formação da cena alternativa americana. Os discos brilhantes e a influência sobre os Pixies são os méritos eternos do trio de Minneapolis. Mas Bob Mould, um dos vocalistas, não se resumiu a aproveitar as glórias do passado e vem fazendo discos geniais desde os anos 90. Primeiro com o Sugar, que teve o mérito de influenciar o Foo Fighters profundamente, depois com sua carreira solo. Mais irregular esta, é verdade, mas sempre relevante. E é por isso que vale a pena prestar atenção a seu novo single, "The Descent", do vindouro "Silver Age" (4/9). Sempre bom ouvir um rock feito com alma, para variar um pouco.

Tom certo

E depois de soltar "teasers" a respeito de novidades, Tom Waits liberou o clipe de "Hell Broke Luce" (do último álbum "Bas as Me" no Youtube. O visual do vídeo é sensacional. Sempre vale a pena esperar pelo Tom. O Tom raramente erra. Tom certo, de novo.

19 de jul. de 2012

Se o Ray Charles fosse roqueiro


No começo de julho foi lançado o novo vídeo da banda britânica The Heavy. É o primeiro single do seu segundo disco, que vai se chamar "The Glorious Dead". A música do vídeo acima se chama "What Makes a Good Man", e na minha opinião, segue a linha musical do grupo, uma mistura de soul e rock. É como se o Ray Charles tivesse gravado com os Rolling Stones. Algo assim.


O The Heavy não chamou a atenção da crítica nem do público brasileiros, mas é uma banda com forte potencial para agradar a vários públicos e até para virar trilha sonora de comerciais espertinhos por aqui. Depois de uma sequência de cantoras imitando as divas do soul dos anos 60, a tendência agora parece ter se espraiado para os conjuntos. Exemplos disso são os próprios The Heavy, Alabama Shakes e a recém-saída do forno JC Brooks and The Uptown Sound. Qual será a próxima década a ser resgatada?

21 de nov. de 2011

Power trios


Um bom vídeo para essa segunda é o Green Day, a banda punk mais famosa dos anos 90, fazendo cover de uma das principais bandas punk dos anos 80, o Hüsker Dü. Ambas são (foram) power trios e americanas (ainda são).  É um belo cover, apesar de ser quase igual à original. A música é "Don't Want To Know If You Are Lonely". 


 

1 de nov. de 2011

É só rock'n'roll. E é muito bom.

“Acho que eu não sabia o que música era, entende? Eu não entendia. Meus pais não colocavam discos dos Beatles para tocar em casa. Sempre fico com inveja de compositores que dizem isso.” Essa declaração, dada ao sou daltônico, não idiota, mostra que a banda americana Age Rings é diferente.

Seu segundo disco, “Black Honey”, que será lançado no dia 5 de novembro pela Midriff Records, é mais do que o simples “rock novo” que tem invadido a internet (e a publicidade, os filmes, o mundo!) nos últimos 11 anos. O rock que o Age Rings faz tem uma característica rara hoje em dia: é só rock. Sim, porque a moda agora é dar um nome ao tipo de som que se faz. “Vintage garage”, “freak folk”, “disco punk”. A maioria dos rótulos invoca a atualização de um gênero mais antigo, denunciando a falta de criatividade dos músicos e de nós, os jornalistas.

Ted Billings, vocalista e a mente que comanda os Age Rings pode não ter crescido ouvindo discos clássicos, mas entendeu bem o que é bom rock. “Black Honey” tem duas das qualidades mais preciosas a um músico: identidade e empatia. As catorze faixas são coerentes e, ao mesmo tempo, são mundos diferentes dentro do disco. Trata-se de uma banda madura que soube escolher como apresentar o trabalho. As músicas são cativantes e remetem a uma vertente mais clássica do rock sem soar passadista. E eles também não incorrem no erro de perder a identidade tentando soar modernos demais. Sem querer comparar, mas outra banda que consegue fazer isso bem é o Black Rebel Motorcycle Club.

Por e-mail, Billings respondeu a algumas perguntas sobre os Age Rings, sobre sua infância e influências.

Ouça três faixas de “Black Honey”, que será lançado pela Midriff Records no sábado em vários formatos, inclusive mp3 (que pode ser comprado fora da Amazon e iTunes).
Para comprar: www.midriffrecords.com

Como começou o Age Rings?
Como um projeto solo em 2006, acho. Gravei o primeiro disco com um baterista e um pianista. Depois disso, pedi para pessoas se juntarem à banda para fazer shows. Tivemos muitas formações desde o começo – sou o único membro original.

De onde vêm suas inspirações?
De livros e filmes, principalmente. Para mim, as coisas que mais afetam a parte musical do cérebro não são música. [O livro] "The rules of attraction" de Bret Easton Ellis e o filme "Magnolia" de Paul Thomas Anderson influenciaram bastante as letras e o tom de “Black Honey”.

Quem escreve as músicas? Como é a dinâmica de composição?
Eu componho no violão antes de levar qualquer coisa à banda. É muito raro eu mostrar algo quando estamos todos juntos. Normalmente é só quando estamos eu e o Steve (bateria) tentando fazer o arranjo. As coisas também acontecem no estúdio. Eu edito as letras até a hora de gravar.

O que você escutava quando era criança?
Minhas primeiras fitas eram do Wrex-n-Fx e da trilha sonora do [filme] “Ghostbusters”. Acho que eu não sabia o que música era, entende? Eu não entendia. Meus pais não colocavam discos dos Beatles para tocar em casa. Sempre fico com inveja de compositores que dizem isso. Eu era uma criança estranha. Estava mais interessado em leitura. Só no ginásio que eu comecei a gostar e a saber o que música era de verdade - Nirvana, Green Day, Weezer etc. Mesmo assim, eu ainda não entendia. Eu só ouvia o barulho, via as cores brilhantes e as roupas interessantes das bandas, os pulos, e todo mundo parecia estar drogado ou louco. Só no colegial eu ouvi os Beatles e os Beach Boys – isso mudou muito a maneira que eu via as coisas.

Que disco ou banda te fez querer ser músico?
A MTV, inicialmente. Clipes do Green Day e do Nirvana. 100% superficial.
Quando eu ouvi “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco, comecei a realmente, realmente entender o que há de mágico e interessante em escrever canções e fazer discos.

Se você pudesse fazer uma jam com qualquer um, quem seria?
Eu não faço jams, mas eu teria adorado poder ver o Jimi Hendrix

7 de out. de 2011

Canção da sexta

Se o disco "Signs & Signifiers", do JD McPherson*, caísse nas minhas mão sem eu saber muito a respeito, eu iria até inferno jurando que foi gravado entre os anos 50 e 60. Mas, incrivelmente, não foi. Para começar, ele é jovem. Sua voz é muito parecida com a de artistas da extinta e histórica Chess Records, casa de muitas das lendas do blues e Rythym and Blues de Chicago.

Sua obsessão vintage é a vantagem e a desgraça de McPherson. As boas influências garantem um som familiar, de timbres e canções parecidas com as que serviram de inspiração. O problema é que o cantor ficou tão preso ao passado que soa como se tivesse viajado no tempo, sem acrescentar nenhum elemento novo à mistura.

Mesmo assim, "North Side Gal" é nossa canção de hoje. Para dançar e colocar no "repeat".






*Obrigado a Tatiana Weiss pela dica

8 de fev. de 2011

Play it again, Sam

O som se parece um pouco com o do Lemonheads. Talvez alguma coisa de Nada Surf. Sam Roberts, canadense, sabe fazer rock/pop muito bem. Hoje com 36 anos, começou a carreira em 2001 e continua lançando discos muitíssimo bem-feitos. Rock direto, melódico, com influências de country aqui, soul ali e uma guitarra bem-tocada em todos os lugares. É um daqueles artistas que passam em branco no Brasil e provavelmente nunca vão fazer show por aqui. Mas, como o Nada Surf, que merecem ser acompanhados porque sempre lançam um bom disco, ainda que não se trate de nada genial.

Veja o clipe de "Where Have All The Good People Gone?"



Sam Roberts mora aqui: http://samrobertsband.com/

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