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13 de dez. de 2012

Super8ito #14 - Anarco-Punk

Lá vamos nós para uma mais uma edição do Super8ito, nosso podcast temático semanal. Nessa semana que ainda está longe o suficiente do Natal e Ano-Novo (esperem pelos nossos especiais de fim de ano!), fizemos um programa sobre bandas anarco-punk. Como sempre, são oito faixas. E dessa vez, o barulho é forte. Clique no play aí embaixo para ouvir:

24 de out. de 2012

Sua preferência política é culpa dos seus pais

Pequeno ditador? Freud explica
Uma pesquisa da Universidade Illinois mostra que os pais têm influência direta sobre a preferência política dos filhos. Quem não sabia disso?

O estudo acompanhou 708 crianças (e seus progenitores) desde que tinham alguns meses de vida até o fim da adolescência. Nada de surpreendente nas conclusões: pais autoritários têm filhos mais conservadores e pais igualitários, filhos mais liberais.  Aos 54 meses de idade, as atitudes de papis e mamis pais já começam a moldar o futuro comportamento político dos tesouros.

Se o seu rebento votou naquele candidato duvidoso nas últimas eleições, pode ter certeza: a culpa é sua.

5 de out. de 2012

O nosso 5 de outubro


Não estou falando do aniversário de morte de ninguém. E sim, do nascimento de um das ferramentas mais valiosas que temos. Hoje é também o aniversário da Constituição de 1988. Em 5 de outubro, Ulysses Guimarães, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, fez o discurso de promulgação da carta. Depois de 22 anos de ditadura, o Brasil tinha uma das mais modernas constituições do mundo. Porque não há nada que assegure uma democracia se não houver um corpo de leis criadas e garantidas por valores democráticos.

Veja aqui o discurso de Ulysses Guimarães:


E aqui, a reportagem do Jornal Nacional sobre o fato:

26 de set. de 2012

Um século de eleições


Lindo esse vídeo mostrando os padrões de votação nos EUA de 2011 a 1912, retroativamente. Azul é democrata, vermelho, republicano. Quanto mais escura a cor, maior a votação. Nos anos 30 e 60 é impressionante como os democratas pintaram de celeste o mapa americano. A vingança republicana veio a partir dos 80, passando pelos anos 2000 do nada saudoso George W. Bush.


Falando em votos e distribuição, estou lendo o ótimo "Os Sentidos do Lulismo", de André Singer, professor da USP e porta-voz do governo Lula. Ainda vou fazer um texto sobre o livro, mas vale a pena saber que Singer identifica uma mudança na base eleitoral de Lula entre 2002 e 2006, um movimento que cria as condições para a chegada de Dilma ao poder e marca essa nossa era da "classe C".


Baseando-se em muitos dados, o cientista político mostra que, na verdade, quem garante a prevalência do lulismo em nível nacional é quem ele chama de "subproletariado", um contingente ansioso por entrar no jogo do consumo e do trabalho. Essa base política dá o grande respiro que o PT tem hoje no Norte e Nordeste do País. Esses são os votos que dão a soberania a Lula.

Seria muito legal se alguém fizesse um videomapa como esse, só que no Brasil, mesmo que nossos partidos tenham mudado tanto no século 20. Eu candidato o professor Singer para esse projeto, já que é um especialista (entre outras coisas) em comportamento eleitoral.

24 de set. de 2012

Notícia do dia: Mulher de 19 anos é eleita para o parlamento de Uganda


Com 19 anos, Proscovia Alengot Oromai, elegeu-se para o Parlamento de Uganda. Ela é a parlamentar mais jovem da África, informa o Global Voices. Oromai é do mesmo partido do presidente do país, o Movimento de Resistência Nacional. Seus mais de 11 mil votos geraram desconfiança e esperança. Alguns creem que ela não conseguirá dar conta de seu mandato, enquanto outros veem sinais de mudança na política do país com a eleição de uma mulher jovem.

No Brasil, temos atualmente 45 mulheres ocupando vagas de deputadas federais. A mais jovem tem 29 anos. 





12 de set. de 2012

Fla-Flu em estádio vazio


Estava cruzando a rua Augusta a uns trinta por hora e do rádio pulou uma frase solta: “Esse Fla-Flu eleitoral entre PT e PSDB não faz bem a mais ninguém, só a eles mesmos”. O âncora falava do tom político no pronunciamento da presidenta Dilma a respeito do corte nas tarifas de energia elétrica.

Estranho. Aquela voz distante condenava o embate entre os dois maiores partidos do país, os que de fato têm dividido as preferências em resultados eleitorais. “Fla-Flu” traz a idéia de que as disputas por poder, cargos e votos não são mais do que um jogo bobo. Que no final da “partida”, não importa muito quem ganhou, a não ser para os torcedores de um dos lados.

Pior que isso, o âncora reproduzia a noção de que a política partidária não serve para nada. Esse é um recurso muito comum, especialmente quando não se tem tempo para fazer análises mais profundas. Sempre vêm as mesmas falas: “Os partidos estão descolados da sociedade”, “os políticos só governam em causa própria”, “votar não vale nada”.

Respeito que não se sinta confortável com a política. É mesmo um campo complexo, cheio de nuances, termos técnicos e disputas incompreensíveis. As críticas também são respeitáveis. Quem aguenta, afinal, tantas denúncias e decepções?

Mas a voz no rádio me deixou preocupado, para além do normal. Ela dizia que as disputas entre os partidos são ruins e ponto. Subjaz no comentário daquele moço que haveria uma solução escondida sob todas as camadas de contendas ideológicas ou de poder. E que a culpa por essa solução universal e inerentemente boa nunca aparecer é dos partidos e suas preocupações menores.

Já na Doutor Arnaldo, prestes a ir em direção ao Pacaembu, a conclusão entrou no carro para pegar uma carona: O radialista está criticando um dos pilares da democracia.

Raios de democracia

Na essência, do que se trata a democracia? De debate, deliberação, conversas a respeito dos problemas. As decisões são tomadas depois de ouvir o maior número de opiniões possível. Conjuntamente se escolhe aquilo que é o melhor naquele momento.

A fala do nosso amigo locutor é impaciente com o perde-ganha, fala-fala, decide-muda de ideia da democracia. Se nos aprofundarmos em algumas décadas no passado, veremos que não é o único. À parte de quem gostaria que fôssemos tutelados por alguma “força” maior, temos aqueles que veem na democracia direta a única solução justa.

Porém, já se mostrou que mesmo em Atenas não existia uma gigantesca assembleia onde cada cidadão fazia seu voto a cada decisão que precisava ser tomada. As assembleias que tomavam as decisões da cidade eram sim formadas por cidadãos, mas uma parte deles. A escolha era feita por sorteio. Igualdade, nesse caso, era a de participar do governo. Todos podiam se inscrever. Como era sorteio, a chance era igual. Mas de maneira alguma TODOS os cidadãos votavam em todas as questões o tempo todo. O cientista político francês Bernard Manin mostrou isso em seu livro sobre representação política.

Existem muitas discussões para tentar definir qual é o modelo ideal de democracia. Cada país tem uma solução e um impasse irremediável. Mencionamos os EUA como exemplo máximo de boa execução dos princípios da democracia – falamos da eleição de juízes, das constituições estaduais – mas raramente nos lembramos de que o voto para presidente lá é, a rigor, indireto.

Nada a ver comigo

Uma lista de críticas brasileiras à democracia do Brasil não cabe em texto algum. Nem vou tentar reproduzi-las. Vou me focar só em uma: no malvisto Fla-Flu do nosso amigo do rádio.

Sim, muitas vezes os partidos se descolam de nossas demandas quando assumem o governo. Candidatos nos decepcionam, políticas nos incomodam. Mas digo uma coisa: investigando a história das ideias e da política, a democracia nunca teve pretensão de resolver todos os problemas de maneira perfeita. Regimes totalitários quiseram dar respostas definitivas. Autocracias dizem que são o fim da história política. Mas a democracia só sobrevive com essa constante tensão entre o que está sendo feito e o que se quer que seja feito.



Ela acomoda diferentes visões de mundo. Permite que as opiniões mudem, que costumes sejam ultrapassados e que novas necessidades entrem na pauta. Exemplos existem aos montes. E podemos achar muitos deles a partir de 1988, data de nascimento do nosso Fla-Flu.

Enquanto não entendermos que é esse o funcionamento da democracia, nunca estaremos prontos para participar dela. Sim, porque precisamos entender que se trata mesmo de um Fla-Flu em um certo sentido.

Às vezes ganharemos, outras perderemos e algumas vezes o empate será o resultado. Desde que nenhum dos times seja declarado campeão sem jogar e sem usar meios ilegais de ganhar, sempre há a chance de reverter o resultado no segundo turno.

Concordo, porém, que ainda estamos longe do ideal. Muito há que se fazer para melhorar as instituições, as eleições e os eleitores. Mas ter de melhorar não significa ter de jogar tudo o que existe no lixo. Eximir-se de responsabilidades e fingir que a política só diz respeito aos políticos.



Taxistas tão politizados
Quando viajamos ao exterior, pegamos o metrô admirados, compramos o passe semanal com gosto e ficamos impressionados com a politização dos taxistas, porteiros e garçons. Voltamos para casa, reclamamos de tudo e decretamos que nossa política é um lixo mesmo e que ela não nos diz respeito.

Na Marginal, a fala do locutor mostrou sua lógica perversa. Ao rejeitar o que temos, achamos que nossa responsabilidade diminui. Mas não. Continua a mesma, queiramos saber ou não, saibamos ou não do que se passa. Porque viver em democracia não se trata só de ter direitos, mas de assumir a responsabilidade por vivê-la, com seus defeitos e qualidades.

Quando nos afastamos de tudo estamos dando autorização para que decisões sejam tomadas em nosso nome. Mas não somos menos responsáveis por elas. As mãos de todos estão sujas.

Entendo, porém, a preferência por outras distrações. A vida já é muito dura e sem-graça, por isso sempre encontramos tempo para blogar, twittar, fazer ioga, academia, um curso de história da arte, viajar, tocar violão e assistir a um Fla-Flu. Mas o Fla-Flu que de fato causa mudanças acontecerá sempre num plenário vazio, em arquibancadas sem torcida. O GPS me diz que cheguei ao meu destino. 
 pol podiam se

10 de set. de 2012

Super8ito: Música dá pitaco na política


Saiu mais uma edição do Super8ito. Depois da homenagem à Isadora Faber na edição passada, agora selecionamos oito músicas que misturam melodias, acordes e política. Em comum, os artistas dessa semana têm a vontade de fazer uma denúncia, um comentário ou um desabafo sobre a política. E não necessariamente são artistas "engajados". Então, aproveite que a política está no ar com as eleições municipais no Brasil e as presidenciais nos EUA e deixe-se levar pela batida da mudança!



Super8ito - Edição 03 - Quando os músicos resolver dar pitaco na política

1. Plebe Rude - Até Quando Vamos Esperar?
2. Lou Reed – Good Eveing Mr. Waldheim
3. Dr. John and The Lower 911 - Time for a Change (com Eric Clapton)
4. Nina Simone - Mississippi Goddamn
5. Caetano e Gil – Haiti
6. Dixie Chicks - Not Ready to Make Nice
7. Tom Robinson - Glad to be gay
8. Public Enemy - Fight the power

7 de set. de 2012

Briga de faca presidencial


Tem coisas que só na internet. E outras, que só no reddit, o grande fórum aberto da web. De lá saem memes, piadas e suposições malucas. O Obama, que virou um meme por lá, respondeu a perguntas dos redditors na semana passada.   Os melhores momentos de delírio coletivo saem da seção HistoricalWhatIf ("E se histórico"). As hipóteses aventadas são de todos os tipos. E se não tivesse existido a Revolução Americana? E se o Islã tivesse desaparecido depois da morte de Mohammed? E se os romanos tivessem descoberto a força a vapor?

Um blogueiro canadense levou a sério o tópico: Numa briga de faca generalizada entre todos os presidentes americanos, quem venceria?" e fez um post em que analisa as chances de todos os 44 mandatários, de Washington a Obama. Este último, aliás, não tem muitas chances. Diz o post que ele provavelmente tentaria acabar com as hostilidades através de negociações, mas "numa arena cheia de veteranos no manejo de facas, ele não sobreviveria aos primeiros minutos".

Os últimos três sobreviventes seriam Andrew Jackson, Lincoln e Teddy Roosevelt, que disputariam o título de campeão (e sobrevivente).

Fiquei na dúvida agora: quem venceria uma briga de peixeira generalizada entre todos os presidentes, ditadores e imperadores brasileiros? O Collor sempre gostou de esportes radicais. Para mim, seria um forte concorrente.


6 de set. de 2012

Sufrágio modernista


Vi no Facebook do meu irmão, mas não sei bem de onde veio. Para um voto de verdade, é Oswald de Andrade! Foi em 1950, pelo PRT (Partido Republicano Trabalhista). O slogan da campanha era “Pão – Teto – Roupa – Saúde – Instrução”. Cativante, não?

17 de ago. de 2012

O grunge e a caipira protestam pela liberdade

O caso dos "Três de West Memphis" mobilizou parte dos americanos e colocou Natalie Maines (da banda de country Dixie Chicks) e Eddie Vedder (Pearl Jam) lado a lado, microfone a microfone, lançando um single em favor de uma causa.

Em 1993, três homens foram considerados culpados pelo assassinato de três escoteiros de oito anos. Foi um julgamento polêmico, em que as provas  apresentadas pela acusação foram duramente questionadas. Mesmo assim, dois deles acabaram condenados à prisão perpétua e um à morte. Depois de passarem mais de vinte anos na prisão, os "três" conseguiram  uma manobra legal que os tirou da prisão e ganhou o apoio de artistas como Johnny Depp, Metallica e Henry Rollins.

A audiência aconteceu em 19 de agosto de 2011, com a presença de Maines e Vedder. Um comício foi organizado e os dois cantaram juntos "Golden State", de John Doe. Para comemorar um ano da vitória, eles lançam o single dessa apresentação em mp3 no dia 19, domingo. Ele estará disponível no site do Pearl Jam e no iTunes. O dinheiro da venda irá para o fundo WM3, em favor dos "Três de West Memphis".

Veja o vídeo da dupla cantando "Golden State":

CONHEÇA MELHOR


Ouça uma playlist de Dixie Chicks

Ouça uma playlist de Eddie Vedder


14 de ago. de 2012

Em busca do Vice Ryan


Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos EUA anunciou Paul Ryan como seu companheiro de chapa. Ou seja, pretendente a vice-presidente. Conservador até o talo, ele deve ser uma espécie de Sarah Palin do bem. Seu papel será o de atrair os mais radicais e rejuvenescer a imagem do partido. E, claro, Ryan já é alvo de brincadeiras na internet.

Ana Sanlez, da RTP, fez uma análise detalhada do papel que Ryan desempenhará na campanha, vale a leitura. O trecho seguinte é apenas um aperitivo da atuação política do atual congressista por Wisconsin:

"Acérrimo defensor dos movimentos pró-vida, o novo braço-direito de Mitt Romney votou contra todas as propostas referentes à despenalização do aborto, mesmo as que dizem respeito a casos de violação ou incesto. Como lembra o New York Times, em 14 anos que leva de Congresso, Ryan foi favorável a todas as propostas relativas a cortes no planeamento familiar, bem como aos diplomas que criminalizam os médicos que intervenham em interrupções de gravidez."

18 de jun. de 2012

O Atari Teenage Riot é invendável e imprestável

O rock está na moda, sem dúvida. Nunca ouvi tantas guitarras na vida. Os comerciais tocam Black Keys, David Bowie e Queen; eventos de música com múltiplas bandas vendem dezenas de milhares de ingressos em poucas horas. Editoriais de moda de revistas adolescentes ensinam a combinar uma camiseta baby look do Nirvana com um sapato de salto alto do Louboutin. 

E como tudo que entra no “esquemão” do mercado de consumo, o rock acabou padronizado. Não choca mais. De trilha sonora da revolta, da inconformidade (“Am I a creep? Am I weirdo?”), passou a ser som de fundo, enquanto jovens descolados com óculos nerds tomam suas cervejas de garrafa verde e postam fotos retrô em redes sociais. Como o mercado precisa de novidades o tempo todo, os dias do rock estão contados. Fiquem espertos, pois o dubstep é o próximo alvo. 


Será que a música, o chamado “rock”, perdeu sua capacidade de causar impacto? Virou item de prateleira? Sexta-feira passada provou que não. Depois de mais de dez anos, os alemães do Atari Teenage Riot voltaram ao Brasil. E provaram, no show que fizeram no Cine Joia, que nem tudo pode ser colocado á venda. Comecemos pelo som do ATR, impossível de ser comercializado de maneira dita normal. A mistura de punk, techno, drum’n’bass, jungle, industrial e inferno auditivo não toca em rádios normais. Não serve de trilha sonora para filmes normais. É um som muito agressivo. E politizado (anarquista, anti-fascista) demais para ser digerido como se fosse mais um biscoito amanteigado na doceria da cultura pop.

Trecho da primeira passagem do ATR em São, em 1998:



Foi isso o que se ouviu na sexta. O ATR não alivia ao vivo. O que parecia barulhento e agressivo nos discos, é dez vezes mais ao vivo. Se as canções (será que se pode dizer isso?) eram pesadas há mais de dez anos, parece que o grupo comandado por Alec Empire se esforçou por deixá-las ainda mais inaudíveis em 2012. Tive inclusive a impressão de que muitas pessoas foram embora depois que o show começou, mas não posso provar. Mas, caso seja verdade, atribuo isso á violência musical. Musical, é claro, já que foi um show muito pacífico, apesar das constantes invasões do público ao palco (sempre respeitosas: no máximo, as pessoas queriam dar um abraço nos integrantes do ATR e pular de volta no lago de gente). 



O pessoal invade o palco do ATR pela primeira vez na sexta 

Muito se fala sobre as coisas “hipster” do mundo. Esse grupo seria uma espécie de vanguarda, que dita o que será a tendência antes de todos. Mas esse pessoal nada mais é do que um mercado, como outro qualquer, que consome certos bens, desde que devidamente chancelados por alguém (por alguém mais hipster do que eles mesmos) e preparados para o consumo. Por isso, a impressão que se tem é de que sempre existe uma nova banda a ser “desbravada” antes de todo mundo. Mas, via de regra, essas bandas são apenas um produto, um empilhado de referências corretas, “cool”. Ou seja, adequadas para um certo tipo de costume, apesar de muitas vezes disfarçadas sob a etiqueta do “exclusivo”, “customizado” e etc. 


Talvez por isso o ATR não tenha sido escalado para um grande festival com filial no Brasil. Talvez por isso tenham vindo para cá apenas duas vezes. E, com certeza, é por isso que o Cine Joia não tenha ficado lotado para o show de um dos grupos musicais mais importantes dos últimos anos (e de todos os tempos, ouso dizer). Com diria Vicente Matheus, o som do Atari Teenage Riot é invendável e “imprestável”. Para ser vendido como parte do mercado hipster não serve mesmo. 

Ouça o novo disco do ATR, "Is This Hyperreal?" (2011) na íntegra:

10 de out. de 2011

Proteste já

Pesquisando pelos rincões do Google, encontrei esses slides fantásticos no Democracy for America. São um treinamento de mídia para quem está protestando (ou para movimentos sociais). Tem dicas muito boas de como se preparar antes de um entrevista ou dos melhores dias e horários para uma coletiva (dias de semana, menos sexta, pela manhã).

Em tempos de ativismo em alta, nada melhor do que ativistas de alto nível, não é mesmo?

Clique aqui para ler ou baixar os slides.

6 de out. de 2011

Assange diz "não" ao PSDB


O blog da Vera Magalhães informa que Julian Assange, líder do Wikileaks, disse não ao convite de participar da convenção nacional da juventude do PSDB, em dezembro. Além disso, pediu para que fosse retirada qualquer menção a seu nome em materiais do partido. Garoto esperto ele.

Eu faria o mesmo, ainda mais depois de o Lula defendê-lo com todas as letras em um discurso no ano passado, veja o vídeo:






O Assange não é bobo não.

3 de out. de 2011

A voz do povo

Não tenho me manifestado a respeito dos múltiplos protestos ao redor do mundo. Desde fevereiro, com o começo do que se chama de "Primavera Árabe", várias vezes as pessoas foram às ruas protestar contra governos, a favor de debates ou pelo fim da corrupção. Devo confessar que não me filio a nenhuma dessas ações porque não sou um ativista. Sou mais um "pensavista".

Mas nem por isso deixo de acreditar no potencial dessas marchas, ocupações, revoltas. Sou, antes de tudo, um defensor da democracia, assim como a italiana Nadia Urbinati, cientista política da Universidade de Columbia, que fica na mesma Nova York da Wall Street ocupada.

O mundo quer repensar a política e, inevitavelmente, a democracia.. O medo de autoritarismos nunca deve ser subestimado, mas todos esses protestos estão fazendo com que a fé na democracia se reacenda. Com fé na "voz do povo", cito um trecho do livro "Representative Democracy - Principles and Genealogy", escrito por Urbinati  (tradução encontrada no texto de Cícero Araujo):

"A representação política... não é meramente simbólica e não deve ser confundida com a função do chefe de Estado de representar a unidade da nação. O órgão sensorial correspondente é antes o ouvido do que o olho, pois as idéias são sua forma, não sua existência física, e a voz é visibilidade, não a presença permanente"

7 de jun. de 2011

Max Weber e o Wikileaks


Max Weber fala sobre a relação entre a ética e a política e como os políticos lidam com o "dever da verdade". Um trecho bem atual, que pode ser colocado em qualquer matéria sobre o Wikileaks no futuro:

"Há, por fim, o dever da verdade. É também ele incondicional, do ponto de vista da ética absoluta . Daí se retirou a conclusão de que se impunha publicar todos os documentos, principalmente os que humilham o próprio país, para pôr em evidência, à luz dessas testemunhas insubornáveis, o reconhecimento de uma culpabilidade unilateral, incondicional e que se despreocupa das consequências. O político entenderá que essa maneira de agir, a julgar pelos resultados, longe de lançar luz sobre a verdade, irá obscurecê-la, pelos abusos e pelo desencadeamento de paixões que provocará. Sabe o político que só a elaboração metódica dos fatos, procedida imparcialmente, poderá produzir frutos, ao passo que qualquer outro método acarretará, para a nação que o empregue, consequências que, talvez, exijam anos para manifestar-se. Para dizer a verdade, se existe um problema de que a ética absoluta não se ocupa, esse é o problema das consequências."
("A política como vocação"; págs. 112 e 113)

Em resumo: o que é melhor que aconteça? Que toda e qualquer informação seja divulgada doa a quem doer, mesmo que elas prejudiquem uma nação  (e não só aos políticos), coloquem pessoas em risco? Essa é uma opção que fala "em nome" da verdade e parece ser a linha filosófica de Julian Assange. Mas há essa segunda via delineada por Weber, a de construir uma narrativa, visando a preservar e talvez fortalecer esse dado país. Mas essa linha passa pela subjetividade de quem constrói, pela seleção (ainda que imparcial, segundo o texto) do que será contado e revelado.

O que será melhor, o que você acha? Devemos divulgar tudo, até mesmo segredos que podem dar a "inimigos" a chance de nos copiar, encurralar e superar? Por exemplo, toda a tecnologia bélica de um país deve estar disponível a todos, os investimentos, os projetos, as estratégias? Levando o tal "dever da verdade" a um extremo, a resposta pode ser "sim".

Ou não, melhor é escondermos o que não achamos essencial divulgar, melhor fazer uma coletânea de fatos e versões, escolhidas por quem sabe o que é mais vantajoso para nosso país, que vai preservar nossa soberania. Como evitar que se crie uma elite baseada no poder das informações (ocultas) nesse caso?


Weber nos traz perguntas relevantes neste tempos "sem ideologias", onde se acredita que a salvação da humanidade chegará via banda larga,

6 de jun. de 2011

Monkees na mira do FBI


Achei no Dangerous Minds um relatório do FBI que mostra que até mesmo os mais coxinhas são capazes de transcender sua condição de salgadinho macio. Os Monkees (saiba mais), a primeira boy band montada por produtores a conquistar as ondas de rádio e televisão do mundo, têm um arquivo no FBI. Pasmem.

Para minha supresa, eles não eram agentes infiltrados. São chamados de "jovens que se vestem como 'beatniks'", que passam "mensagens subliminares de esquerda" no telão de seu show. As tais mensagens são imagens de revoltas em Berkeley (na Califórnia, meca da esquerda americana dos anos 60 e 70), mensagens anti-Guerra do Vietnã. e de "revoltas raciais em Selma, no Alabama". Mais interessante é a observação de que esse "conteúdo" foi recebido de maneira "desfavorável pelo público".

Segundo o relatório, a investigação foi de 26/3/1967 a 21/6 do mesmo ano. Ou seja, os caras passaram quase três meses atrás dos Monkees. Não sei se era paranoia desnecessária ou se eles eram realmente subversivos. Algo difícil de imaginar para uma banda que era o Restart dos anos 60. Ou talvez ainda haja esperança para o Restart, que pode acabar virando um Clash coxinha, quem sabe?

25 de mai. de 2011

O mito da tecnologia

Isto não é um artigo acadêmico, só um exercício de raciocínio.

A Apple divulgou um infográfico sobre que tipos de aplicativos são distribuídos para os iPhones e iPads. De 500 mil títulos disponíveis, 3% são de ferramentas de notícias. Isso dá 15 mil aplicativos.

Vamos lá. Três por cento desse universo é muito pouco. Entre os 20 mais baixados, não há nenhum desses de notícias. Por que estou me detendo tanto nisso? Há uma "teoria" corrente que prega que a tecnologia liberta povos oprimidos. Ela é herdeira daquela outra, propagada na época da URSS, que dizia que panfletos xerocados poderiam libertar os povos sob o jugo dos soviéticos. Em resumo, uma visão que pensa que a POSSIBILIDADE de circulação de informação cria condições para a rebelião DEMOCRÁTICA.

Ora, se isso é verdade, a nossa sociedade ocidental, altamente tecnológica e tarada por gadgets, deveria ser a campeã de consumo de notícias. Somos democratas por herança história, afinal (e fãs de Angry Birds).

Mesmo que eu esteja errado e esses três por cento supram toda a necessidade de notícias, temos de pensar na QUALIDADE dessa informação. Quem a produz? Que tipo de cobertura? Política? De esportes? Duvido que os mais baixados nessa categoria sejam do New York Times ou Guardian.

Mesmo cheios de POSSIBILIDADES para a circulação da informação, continuamos ouvindo diagnósticos sobre a apatia política dos nossos povos, da impotência geral diante de um sistema complexo e autossuficiente.

Não nos enganemos: a Praça Tahir não estava cheia devido a um evento do Facebook; este é apenas uma FERRAMENTA nas mãos de quem queria se manifestar como cidadão político. Porque o maio de 68 aconteceu mesmo sem Facebook.

Via Nelson de Sá

3 de jan. de 2011

Tá valendo


Hoje é o primeiro dia do governo da presidenta Dilma Roussef, primeira mulher a governar o Brasil. Ainda no clima da posse do dia 1º, o blog Olhar sobre o mundo fez uma compilação de fotos muito bonitas da Agência Estado feitas na cerimônia de sábado. Clique aí embaixo.

Fotos da posse da Dilma

23 de dez. de 2010

Assange na MSNBC

Para os leitores interessados no WikiLeaks, muito interessante. Para os leitores jornalistas, obrigatório. Via Bruno Torturra.