27 de jul. de 2012

Você perdeu essa semana

"Tesouro, o mundo um dia vai ser seu!"

- Dá para sentir o cheiro da chuva antes dela chegar.

- 11 perguntas e respostas sobre direitos autorais, Ecad e outras coisas do mal.

- Autoajuda na redação: 7 hábitos para jornalistas eficientes.

- O rock e o soul continuam a fazer amor: conheça JC Brooks and The Uptown Sound

- Sinal de que a idade está chegando: Tributo ao OK Computer (1997), do Radiohead.

25 de jul. de 2012

Chegou a vez dos anos 50

Escrevi no ano passado uma reportagem falando sobre a força que a tendência retrô tem ganhado nos últimos anos. Parece que o capacitor de fluxo do Dr. Emmet Brown não terá descanso tão cedo. Veja, por exemplo, essa faixa da banda estreante The Yearning. Cuspida e escarrada, é uma faixa de doo wop dos anos 50:


Já existia uma outra banda que bebe nessas fontes, os escoceses do Glasvegas. Mais roqueiros, dão um toque meio emo a melodias feitas a la Paul Anka:


Outro indício de que a onda retrô avançou outra década em direção ao Big Bang é o lançamento de "On The Road", filme baseado da obra homônima de Jack Kerouac, lançado em 1957.


Como não entendo de moda, ainda não sei identificar se a tendência é a mesma, mas imagino que sim. Mal posso esperar pelas próximsa lufadas de ar retrô. Anos 40, 30, 20? Chegaremos aos tempos bíblicos?

20 de jul. de 2012

Tira da sexta - Calote

Não vou nem tentar explicar essa tira nova do cartunista paulistano Calote. É impossível saber de onde vem ideias tão "sadias". Clique para aumentar.




Visite o blog do Calote: noprimeiroandar.blogspot.com.br

E leia a entrevista que fiz com o rapaz

19 de jul. de 2012

Se o Ray Charles fosse roqueiro


No começo de julho foi lançado o novo vídeo da banda britânica The Heavy. É o primeiro single do seu segundo disco, que vai se chamar "The Glorious Dead". A música do vídeo acima se chama "What Makes a Good Man", e na minha opinião, segue a linha musical do grupo, uma mistura de soul e rock. É como se o Ray Charles tivesse gravado com os Rolling Stones. Algo assim.


O The Heavy não chamou a atenção da crítica nem do público brasileiros, mas é uma banda com forte potencial para agradar a vários públicos e até para virar trilha sonora de comerciais espertinhos por aqui. Depois de uma sequência de cantoras imitando as divas do soul dos anos 60, a tendência agora parece ter se espraiado para os conjuntos. Exemplos disso são os próprios The Heavy, Alabama Shakes e a recém-saída do forno JC Brooks and The Uptown Sound. Qual será a próxima década a ser resgatada?

18 de jun. de 2012

O Atari Teenage Riot é invendável e imprestável

O rock está na moda, sem dúvida. Nunca ouvi tantas guitarras na vida. Os comerciais tocam Black Keys, David Bowie e Queen; eventos de música com múltiplas bandas vendem dezenas de milhares de ingressos em poucas horas. Editoriais de moda de revistas adolescentes ensinam a combinar uma camiseta baby look do Nirvana com um sapato de salto alto do Louboutin. 

E como tudo que entra no “esquemão” do mercado de consumo, o rock acabou padronizado. Não choca mais. De trilha sonora da revolta, da inconformidade (“Am I a creep? Am I weirdo?”), passou a ser som de fundo, enquanto jovens descolados com óculos nerds tomam suas cervejas de garrafa verde e postam fotos retrô em redes sociais. Como o mercado precisa de novidades o tempo todo, os dias do rock estão contados. Fiquem espertos, pois o dubstep é o próximo alvo. 


Será que a música, o chamado “rock”, perdeu sua capacidade de causar impacto? Virou item de prateleira? Sexta-feira passada provou que não. Depois de mais de dez anos, os alemães do Atari Teenage Riot voltaram ao Brasil. E provaram, no show que fizeram no Cine Joia, que nem tudo pode ser colocado á venda. Comecemos pelo som do ATR, impossível de ser comercializado de maneira dita normal. A mistura de punk, techno, drum’n’bass, jungle, industrial e inferno auditivo não toca em rádios normais. Não serve de trilha sonora para filmes normais. É um som muito agressivo. E politizado (anarquista, anti-fascista) demais para ser digerido como se fosse mais um biscoito amanteigado na doceria da cultura pop.

Trecho da primeira passagem do ATR em São, em 1998:



Foi isso o que se ouviu na sexta. O ATR não alivia ao vivo. O que parecia barulhento e agressivo nos discos, é dez vezes mais ao vivo. Se as canções (será que se pode dizer isso?) eram pesadas há mais de dez anos, parece que o grupo comandado por Alec Empire se esforçou por deixá-las ainda mais inaudíveis em 2012. Tive inclusive a impressão de que muitas pessoas foram embora depois que o show começou, mas não posso provar. Mas, caso seja verdade, atribuo isso á violência musical. Musical, é claro, já que foi um show muito pacífico, apesar das constantes invasões do público ao palco (sempre respeitosas: no máximo, as pessoas queriam dar um abraço nos integrantes do ATR e pular de volta no lago de gente). 



O pessoal invade o palco do ATR pela primeira vez na sexta 

Muito se fala sobre as coisas “hipster” do mundo. Esse grupo seria uma espécie de vanguarda, que dita o que será a tendência antes de todos. Mas esse pessoal nada mais é do que um mercado, como outro qualquer, que consome certos bens, desde que devidamente chancelados por alguém (por alguém mais hipster do que eles mesmos) e preparados para o consumo. Por isso, a impressão que se tem é de que sempre existe uma nova banda a ser “desbravada” antes de todo mundo. Mas, via de regra, essas bandas são apenas um produto, um empilhado de referências corretas, “cool”. Ou seja, adequadas para um certo tipo de costume, apesar de muitas vezes disfarçadas sob a etiqueta do “exclusivo”, “customizado” e etc. 


Talvez por isso o ATR não tenha sido escalado para um grande festival com filial no Brasil. Talvez por isso tenham vindo para cá apenas duas vezes. E, com certeza, é por isso que o Cine Joia não tenha ficado lotado para o show de um dos grupos musicais mais importantes dos últimos anos (e de todos os tempos, ouso dizer). Com diria Vicente Matheus, o som do Atari Teenage Riot é invendável e “imprestável”. Para ser vendido como parte do mercado hipster não serve mesmo. 

Ouça o novo disco do ATR, "Is This Hyperreal?" (2011) na íntegra:

27 de mai. de 2012

Domingo é fado



Eu não sabia que gostava de fado até ouvir a coletânea "Fado - World Heritage", CD duplo com os principais artistas portugueses do gênero. Horas de sofrimento, sotaque carregado e notas metálicas choradas pelas guitarras portuguesas das 40 faixas da compilação. Como o domingo em si já é um fardo, escolhi uma faixa mais leve para comemorar a depressão semanal. A bela Ana Moura cantando "Caso Arrumado". Porque domingo é fado.

22 de mai. de 2012

Sem tédio


Lendo a descrição do que é o disco “Silfra”, de Hillary Hahn (violino) e Hauschka (piano), tive medo do tédio que ele poderia provocar: dois especialistas em música clássica improvisando livremente, numa gravação ao vivo. Parecia uma roubada certa.

Depois, descobri que Hahn já esteve em turnês com o cantor de folk Josh Ritter. Em seguida, li que antes de entrarem no estúdio, a dupla passou dois anos se encontrando para tocar junto, uma preparação para “Silfra”.

Veio uma coragem maior e ouvi o novo álbum inteiro, sem pausar nem me aborrecer. Hahn e Hauschka souberam transformar a suposta falta de regras em um aliado. A liberdade de seguir o que lhes pareceu apropriado fez de “Silfra” uma trilha sonora sem filme.

Virtuosismo e a “arte pela arte” não são as guias do disco. Há uma sabedoria acumulada, alimentada pela preferência deles por Bach e Tchaikovsky, dois compositores que gostam de um bom refrão e frases musicais de efeito. E, claro, a experiência de Hahn com a música “normal” deve ter seu peso, afinal, nada melhor do que ter um limite de três ou quatro minutos para aprender concisão.

Temos um disco de música com tons de “erudita”, mas, sem hesitar, passeia pelo jazz e cita até o pós-rock (de bandas viajantes como Sigur Rós). Um disco que vale o risco do tédio, que nunca aparece.

Ouça “Silfra” no site da NPR.