6 de dez. de 2012

Velha missão cumprida



O Soundgarden é mais um item na lista de bandas que resolveram voltar para transformar as glórias do passado em receitas do presente. Há muito no que se apoiar. Só a trinca “Badmotorfinger“ (1991), “Superunknown” (1994) e “Down On The Upside” (1996) vale pela carreira de uma dúzia de bandas que estão fazendo milhões por aí. Então faz sentido que Chris Cornell e seus amigos venham aos anos 2010 para descontar esse cheque.

E não se pode deixar de admirar o ato de coragem de voltar lançando um disco novo. Deve ser difícil tirar a ferrugem, engolir as brigas do passado e voltar a pensar como banda. Pior, colocar em risco o legado anterior, que, a rigor, é o que as pessoas vão pedir no show. Ninguém vai gritar por nenhuma das faixas novas de “Animal”. Os pulos coreografados da plateia ficarão para “Outshined”, “The Day I Tried To Live” e “Spooman”. Cornell deve saber disso. Assim mesmo insistiu e é preciso admirá-lo por isso.


“Animal” não é um disco ruim. Trata-se de um Soundgarden diluído e pasteurizado, sem dúvida, mas razoavelmente fiel ao seu “legado”, o suficiente para que mantenhamos o respeito pela banda. Tampouco é um disco desagradável. As 13 faixas passam pelo ouvinte de maneira agradável, sem incomodar. Também sem chamar muito a atenção. Resumindo, é um disco sem nada de mais.

Precisa ser todo disco o mais inesquecível de todos? Todas as bandas, artistas, pintores, escultores, poetas, jornalistas e blogueiros precisam revolucionar a todo momento? Claro que não. Essa missão fica para os gênios. E para os que têm momentos geniais e sabem aproveitá-los. O Soundgarden fez um disco que não entrará para nenhum dos anais da música. Mas tudo bem.

Os fãs não ficarão envergonhados. Para quem realmente gosta deles, talvez seja um alívio ouvir Cornell longe de seus covers de Michael Jackson e shows acústicos sem pé nem cabeça. A volta do Soundgarden não será marcada por “Animal”. Daqui a vinte anos, acho difícil que algum fã mencione alguma das faixas novas em suas memórias a respeito do show da banda. Mas tudo bem. A missão do Soundgarden já foi cumprida há XX anos. E eu também vou ficar emocionado quando eles tocarem “Outshined”.

SOUNDGARDEN
King Animal
Universal

Ouça o disco:

5 de dez. de 2012

Dave Brubeck (1920 - 2012)

Morreu hoje pela manhã o pianista de jazz Dave Brubeck. Ele tinha 91 anos e ainda estava ativo. Mesmo que não faz ideia da importância dele deve conhecer a frase da música "Take Five", do disco de mesmo nome lançado em 1959. No vídeo, Brubeck toca seu maior hit em 1961.



Nesse outro, tirado do filme "Piano Blues"(dirigido pelo Clint Eastwood para a série "Martin Scorcese Presents The Blues"), Brubeck toca a música "Audrey", observado pelo eterno Dirty Harry. 

$$$ para o filme do Bob Mould


Mito do rock alternativo, punk, sei lá o que americano, Bob Mould está pedindo grana no Kickstarter para terminar o filme que documenta o show "See a Little Light". O ex-Husker Du, ex-Sugar fez uma apresentação no ano passado para comemorar sua excepcional carreira e recebeu excepcionais convidados no palco: Dave Grohl, Britt Daniel (Spoon), No Age e Ryan Adams, entre outros. São só 17 dias até o fim do projeto e ainda falta um bom dinheiro para chegar aos US$ 95 mil pedidos. Eu já fiz a minha doação, claro! Veja abaixo o trailer do futuro filme:



Clique AQUI para doar dinheiro para o Bob Mould.


Super8ito #13 - Fazendo Hora Extra


Está na nuvem mais uma edição do podcast mais temático da rede mundial de computadores, o Super8ito. Resolvemos homenagear o vitalício arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer fazendo uma seleção de oito bandas que já estão fazendo hora extra no mundo da música. Quem imaginaria que os Rolling Stones completariam 40 anos de carreira?  E 50? O Super8ito dessa semana é uma ode à resiliência.


3 de dez. de 2012

Especial Cuarteto de Nos (Uruguai)


Excelente esse programa especial da Rádio Elétrica sobre a banda uruguaia Cuarteto de Nos. Maria Laura Vieira selecionou as melhores faixas dos 28 anos de carreira dos roqueiros. Como é de praxe, mais um grupo que passou em branco no Brasil, que não tem o costume de dar muita bola para a música dos nossos vizinhos. Nem me lembro como fiquei sabendo deles. O primeiro disco que ouvi foi o excelente Raro (2006), que recomendo como primeira incursão no universo irônico do Cuarteto.

Clique no link abaixo para ouvir ou baixar o programa:
www.radioeletrica.com/blog/?p=987

29 de nov. de 2012

Fernanda Takai na Vida Simples

Texto publicado originalmente na revista Vida Simples

FOTO: Luiz Paulo Assunção/Divulgação
Em 2007, Fernanda Takai deixou um pouco de lado o rock meio maluco do Pato Fu para emprestar sua voz a canções diferentes. “Onde Brilham os Olhos Meus” levou a vocalista ao papel de cantora, interpretando o repertório que consagrou a bossanovista fundamental Nara Leão (1942-1989). Foi uma certa surpresa ouvi-la mudar de campo de jogo, mas uma do tipo agradável.
Takai continua sua aventura pelos meandros da música brasileira, mas agora com a companhia de alguém que, como ela, é formado no rock. Melhor ainda, ex-membro de uma banda do primeiro do time, o The Police. “Fundamental” juntou Andy Summers e Fernanda Takai e fez par do rock dos anos 80 com a bossa nova. Summers ouvu o tributo de Takai a Nara, e compôs todas as faixas para a voz dela, já pensando em um disco conjunto.

Das onze faixas do disco, cinco são cantadas em português, com versões das originais de Summers feitas por Takai, John Ulhoa (seu marido e colega de Pato Fu) e Zélia Duncan. A mistura funciona. Rock e bossa-nova se equilibram sem forçar a barra para nenhum dos lados, A voz de Takai fez uma bela amizade com as seis cordas de Summers e sua bossa estrangeira.

Como você conheceu o Andy Summers?
Foi em 2009, por intermédio do Roberto Menescal que deu a ele meu primeiro disco solo. Andy gostou de minha voz e me chamou pra participar do documentário que fez sobre a influência da bossa nova na vida dele. Dois anos depois ele me mandou um email contando que já tinha escrito 18 canções pensando na minha voz e se eu gostaria de fazer um disco em dupla. Foi surpreendente.

Você é fã do The Police?
Gosto muito da banda, mas preciso confessar que sou mais fã do Duran Duran... A banda do Andy é de uma geração um pouco anterior ao rock inglês anos 80 que ouvi muito quando era adolescente: The Cure, The Smiths, EBTG, New Order, Eurythmics. Acho que ele sabe disso.

Quando aconteceu o primeiro contato?
Recebi as canções no segundo semestre do ano passado, ficamos trabalhando por email para selecionar o repertório, pois ao todo foram 25 canções que eu tinha em mãos.  Resolvi fazer as versões com Zélia e John e até minha viagem à Califórnia, fomos deixando tudo o mais acertado possível: tonalidades, ajustes em frases, andamento...


Quando começaram a trabalhar juntos?
Viajei em março deste ano, fiquei por 10 dias lá. Gravava de 10 da manhã às 7 da noite. Registrei 11 faixas em inglês, 5 em português e uma em japonês, sem contar todos os respectivos backing vocals. Trabalho intenso, mas recompensador, principalmente porque depois das sessões a gente ia comer muito bem nos restaurantes favoritos dele. Eu adoro essa parte!

Esse já é seu segundo disco como intérprete de bossanova. O rock cansa às vezes?

Qualquer estilo puro demais cansa. Na minha banda nunca fiz rock "de raiz". Acho que sempre tive elementos diferentes em nossas canções. Mas eu acho que este disco não é só de bossa nova. Tem pop, rock, jazz, baião... tudo bem misturadinho e temperado!

Foi difícil gravar com um músico que é referência no rock e na música em geral?

Não, porque ele é uma pessoa muito tranquila, faz as coisas de um jeito objetivo, pé no chão. Mesmo sendo uma lenda, dirige o próprio carro, sabe organizar o próprio dia a dia. E também, Andy me chamou pra que eu cantasse exatamente do mesmo jeito que venho fazendo há 20 anos, ou seja, me deu segurança.

Até bem pouco tempo o Brasil recebia poucos shows internacionais. Agora, temos diversos festivais e nossos artistas vêm despertando o interesse de nomes consagrados do pop mundial. Na sua opinião, ocupamos uma posição diferente na cultura mundial hoje?
O Brasil sempre foi referência de boa música, mas hoje os encontros acontecem com mais naturalidade por causa da rota de shows, da internet, da facilidade que se tem em fazer contatos com gente do mundo inteiro. As pessoas gostam de ouvir o português também. E a bossa nova sempre teve um papel importante nisso.

Sertanejo finlandês



Essa música, Nahkarouska ("chicote de couro"), é de levantar qualquer dia desanimado. Eis aqui o trio de cantoras de música folclórica (ou folk, ou tradicional etc.) da Finlândia, o Vartina, cantando sobre um homem do campo que vai de celeiro em celeiro traindo a mulher. Mas não com vacas (os animais), mas com as camponesas da região. O rapaz acaba apanhando da mulher e leva chicotadas e bengaladas. Verdadeiro sertanejo de raiz finlandês.