Mas finalmente o David Bowie anunciou disco novo (depois de 10 anos) e já soltou uma música com clipe e tudo. "Where Are We Now"é um pequeno conto para uma era em que não sabemos nada sobre o tempo ou o espaço. Bowie cita vários lugares, como se eles não existissem materialmente, mas fizessem parte de uma lista que passa por seus olhos em alta velocidade. Talvez seja assim que vivamos hoje em dia, criando timelines eternas com imagens, ideias e sentimentos que não duram mais do que alguns segundos. "Onde estamos agora?". Tanto faz. Uma foto pode ser qualquer foto, uma paisagem é todas as outras, desde que haja esse "você" e "eu" a quem Bowie se refere.
O novo álbum se chama "The Next Day" e sai em março. Veja o vídeo de "Where Are We Now?":
8 de jan. de 2013
7 de jan. de 2013
Vida Simples de janeiro: Gil e Sinkane
A revista Vida Simples de janeiro está nas bancas. O clima de verão e leveza vão da capa à seção de música, onde este mês resenhei o primoroso relançamento do clássico disco "Expresso 2222", de Gilberto Gil. Seguindo a tendência afro-misturadora, Sinkane também ganhou espaço por causa de seu excelente disco de estreia, "Mars".
Ouça aí embaixo uma faixa de cada:
Gil - "Expresso 2222"
Sinkane - "Runnin"
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3 de jan. de 2013
As gêmeas vêm aí
Em 2013 os Breeders comemoram 20 anos do seu melhor disco, "Last Splash". Se você não sabe do que estou falando, ouça aí em embaixo a faixa mais famosa, "Cannonball" - incrivelmente, ela tocou no rádio até aqui. É claro que haverá uma turnê para celebrar esse aniversário e as chances são grandes de ela passar pelo Brasil.
A banda tocou aqui pela primeira vez em 2003, no falecido Curitiba Pop Festival. Reza a lenda que Kim Deal ficou tão impressionada com o fanatismo dos brasileiros que convenceu os Pixies a passarem por aqui no ano seguinte com sua "pré-turnê" de reconciliação. O Brasil foi o único país da América do Sul a vê-los naquela época.
Voltaram para o Planeta Terra de 2008 e fizeram um baita show. Deu para ver que as Deals ficaram emocionadas com a resposta do público. E elas mereceram. Não economizaram na simpatia e na distorção e tocaram tudo e mais um pouco. Ainda não há datas fechadas, mas já dá para ficar animado.
Veja aqui, o pessoal ensaiando a música "New Year XX" no porão da Kim Deal:
A banda tocou aqui pela primeira vez em 2003, no falecido Curitiba Pop Festival. Reza a lenda que Kim Deal ficou tão impressionada com o fanatismo dos brasileiros que convenceu os Pixies a passarem por aqui no ano seguinte com sua "pré-turnê" de reconciliação. O Brasil foi o único país da América do Sul a vê-los naquela época.
Voltaram para o Planeta Terra de 2008 e fizeram um baita show. Deu para ver que as Deals ficaram emocionadas com a resposta do público. E elas mereceram. Não economizaram na simpatia e na distorção e tocaram tudo e mais um pouco. Ainda não há datas fechadas, mas já dá para ficar animado.
Veja aqui, o pessoal ensaiando a música "New Year XX" no porão da Kim Deal:
26 de dez. de 2012
Super8ito #16 - Promessas não cumpridas
O ano-novo se avizinha e com ele, as promessas aos montes. Determinamos novos rumos para nossa vida, esperando que o ano vindouro concretize aquelas aspirações eternas de nossos espíritos. Como as bandas da nossa edição número 16 do Super8ito, sinto informar-lhes, mas não vai rolar. São oito exemplos de como o que importa mesmo, no fim das contas, é fazer e não falar. Ou gravar. Feliz ano-novo.
21 de dez. de 2012
Espírito de Coringa
Faz algum tempo, tenho sentido que a música ficou menos interessante, mais sem-graça, mais inofensiva. Sem saber muito bem como explicar isso, nunca ousei escrever um texto a respeito, com medo de virar um daqueles caras que só consegue ver vantagens no passado.
Ontem, topei com uma frase do Charles Thompson (também conhecido como vocalista do Pixies, Frank Black e Black Francis):
Now people pursue rock music and they go, "I have something important to say, and here's what it is, and ooh, I'm singing it from my heart, too". And it's all too serious. And people totally miss out. They totally miss the fun, Jabberwocky, fun-with-language, fun-with-poetry.
Em português:
Agora as pessoas fazem rock e ficam [dizendo], "Tenho algo importante a dizer, e aqui está, e uuu, estou cantando com meu coração". É tudo muito sério. As pessoas perdem a oportunidade. Elas ficam de fora da diversão, Jabberwocky [poema nonsense de Lewis Carroll], diversão com a linguagem, diversão com a poesia.O trecho vem do livro "Doolittle", escrito pelo jornalista Ben Sisario para a fantástica série 33 1/3 (que conta a história de álbuns importantes do rock).
De fato, caro Thompson, tudo é sério demais. Dá para estender isso a outros campos. Essa frase foi dita em 2004, em entrevista ao New York Times, mas continua bastante atual. Estamos perdendo o senso de humor principalmente nas artes. As coisas ficam sérias, graves e viram quase uma extensão do "coração" dos cantores, escritores, autores. Mais importante do que compor uma bela obra é que aquilo seja reflexo perfeito da personalidade do criador.
No mesmo livro, Sisario diz várias vezes que Thompson não dá muitas explicações para suas letras. "Não quer dizer nada, é só uma canção", diz o vocalista dos Pixies.
Pois é. Sempre achei que tudo que tem explicação demais ou que é muito evidente perde um tremendo valor no impacto que pode causar nas pessoas. A arte deveria servir à confusão e não ao ego de quem a produz. O Coringa concordaria.
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Música para o Apocalipse
Antes que a piada acabe, darei minha contribuição à cultura do Apocalipse maia com uma belíssima música do injustiçado Sam Roberts. É o fim do mundo que ele nunca tenha vindo tocar no Brasil. A música e o disco em questão se chamam "Love At The End Of The World". Uma mensagem de esperança, portanto. Asteróides, tsunamis e zumbis não acabaram com o amor nesse fim de mundo. Chega.
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20 de dez. de 2012
Super8ito #15 - Natal Deprê
A época mais deprimente do ano chegou e nós entramos no espírito com a nossa já famosa seleção que só convoca oito. Essa edição do Super8ito é perfeita para quem gosta de afogar as mágoas no Natal e não vê a hora de janeiro chegar. Encosta sua cabecinha no nosso ombra e chora, porque esse ano não vai ter brinquedo (as crianças já estão com medo).
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