26 de jan. de 2010
Sentido
Da esquerda para a direita
Vetor fluido e congelado
Raios em sentido horário aos pares para quem vem
E para quem vai
Nas margens, tanto faz
Esquerda, direita, vértices
Inércia
Pernas arqueadas empurram rodas do caos,
Deixam pelas calçadas o medo da falha
Cessam os raios, esquerda, direita
Vértices marcados no chão
A faixa de pedestres some como um portal
Em posição de vigília, como um pavão sem sua senhora
Empoleiro-me na noite e espero chegar em casa o sono
Guardo os vértices sem me preocupar com o que virá em seguida
Cegam-me mesmo de longe os olhos apressados de coisa alguma:
Zerou-se o estoque de surpresas da madrugada - ficaram pela Augusta, ou quem sabe Barra Funda
Paz interrompida às duas da manhã por um filho da puta andando na contramão
17 de dez. de 2009
Quer não perder peso? Pergunte-me o que como
Agora você pode perguntar para qualquer um o que sempre quis saber mas tinha medo de indagar (ou vergonha). Mas só se a pessoa em questão estiver cadastrada no Formspring.me - o que é o meu caso.Ainda não entendi qual é a "utilidade" da coisa, mas percebi o alto poder comunicação da mais nova ferramenta (leia-se instrumento de perda de horas trabalhadas). Não sei de perfis muito famosos (ouvi dizer que a Flávia Durante tem um e já sei de pedidos para que o William Bonner se cadastre).
Recomendo os seguintes respondedores:
Eva Uviedo
Mediocridade
chegalogo2112
16 de dez. de 2009
Sexo, Roberto Carlos e Tremendão
Saiba desde o começo que a autobiografia Minha fama de mau, do cantor e compositor Erasmo Carlos, só faz sentido se lida como complemento ao livro proibido sobre o Rei, Roberto Carlos em detalhes (de Paulo César Araújo). Embora o Tremendão não tivesse a obrigação de fazer um livro indispensável sobre sua vida, carreira e o tempo em que viveu, ele desperdiçou a oportunidade de contar detalhes mais relevantes sobre as coisas que viveu.
São 360 páginas de pequenas anedotas pelas quais passou Erasmo. Histórias que ele considera engraçadas e inusitadas (apesar de nem sempre o serem), além de elogios quase exagerados a amigos e contemporâneos – inclua-se Carlos Imperial, Tim Maia, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso etc.
Quem conhece bem a carreira do “número dois” da Jovem Guarda vai perceber que ele escreve em prosa como versa em seus discos: de uma maneira inocente, fazendo bom uso de clichês e escolhendo o muro quando trata de assuntos delicados. Obviamente que não poderia faltar um capítulo inteiramente dedicado ao seu eterno parceiro de composição Roberto Carlos, repleto de elogios e frases emocionadas.
Para quem leu Roberto Carlos em detalhes, não há muitas novidades em Minha fama de mau. É interessante ver Erasmo gastar inúmeras páginas discorrendo sobre sua vida sexual no começo do livro e depois jurando amor eterno a Nara, sua esposa por muitos anos. Apesar de não ser essencial para entender a música brasileira e o rock, Minha fama de mau é uma leitura divertida para quem é muito fã do Tremendão. (Diogo Rodriguez)
Minha fama de mau
Erasmo Carlos
Ed. Objetiva
360 páginas
R$ 45 (em média)
1 de nov. de 2009
Você não espera; Tom Waits
Tom Waits - Goin Out West
Clique no aplicativo abaixo para fazer o download das oito faixas gratuitas:
Conversa roubada
É o que acontece quando se tenta cruzar os limites do mundo anglófono globalizado. Fiz isso para concretizar a matéria sobre uma pista de tanques de guerra na Hungria.
#214 - Problematizing the evidente: ligando para a Hungria
[Publicado originalmente no excelente Problematizando o Evidente. Recomendo!]
Ainda sobre quadrinhos
Já que esse tema parece me perseguir e ainda não consegui dar uma passada na HQMix, mais um post sobre novos quadrinhos. O Zé Rodrigui me mostrou uns álbuns novos de HQ que ele comprou e eu acabei gostando muito da revista Beleléu, do Rio de Janeiro.
Achei bem parecido com o que eu gosto do Laerte, um traço simples, colorido, com humor voltado ao trocadilho (amém Daniel Benevides) e ao quase infantil. Meu tipo de risada. Procurei no blog deles a tira do gato que vai ao bar, mas não achei. Tem algumas histórias mais artísticas e reflexivas boas também. Recomendo a primeira edição, que acabou de ser lançada.
Dê uma olhada nessa animação para saber mais ou menos do que se trata:
30 de out. de 2009
Novos quadrinhos
Pensando em pautas para o trabalho descobri o coletivo de artistas de São Paulo O Contínuo. Um dos integrantes, o Alcimar Frazão, está ilustrando o livro de histórias infantis que meu irmão José Rodrigo escreveu. Fiz uma entrevista com o Pedro Felicio, editor, e acabei me interessando pela revista, que é muito boa está prestes a lançar seu oitavo número.
Ainda tem um quê de fanzine dos anos 80, mas O Contínuo já mudou de nível e é de fato uma revista e das boas. Todas as edições tratam da cidade, cada uma de um jeito distinto. O traço dos quadrinistas-artistas é impressionante, acho que nunca tinha visto nada parecido no Brasil. O Laerte é um gênio, mas esses caras são artistas de verdade.
Hoje comecei a ler uma outra revista independente, a Café Espacial. Um dos editores e colaboradores, o Sérgio Chaves, mandou alguns exemplares e fiquei impressionado. Traços muito fortes, bem-feitos e fora do convencional. A Café está mais para um zine, tem textos sobre cinema, música e pequenos contos (ou crônicas, difícil de definir). Nesse fim-de-semana vão lançar o quinto número em São Paulo. Ver que o time da revista tem jornalistas, artistas gráficos, escritores, deu um certo ânimo. Publicar em um lugar visível é desejável, mas publicar é sempre bom. Espero que eles aceitem contribuições casuais.